Três Fábulas sobre ComPosições Políticas: Outras Histórias do Rio de Janeiro

Três Fábulas sobre ComPosições Políticas:
Outras Histórias do Rio de Janeiro

Daniela Mattos
Leonardo Bertolossi
Alexandre Sá

“Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro.” – José Saramago

“Em mim eu vejo o outro. E outro. E outro. Enfim, dezenas. Trens passando, vagões cheios de gente, centenas. O outro que há em mim é você. Você. E você. Assim como eu estou em você eu estou nele, em nós. E só quando estamos em nós estamos em paz.” – Paulo Leminski

“Quem diria que o negro queria há tempos atrás, ver um dia o branco escravo dos seus rituais.” – Aurinho da Ilha e Didi, Samba Enredo da União da Ilha do Governador (1971)

“Quebre, requebre. Mexa, remexa. Bole, rebole. Volva, revolva. Corra, recorra. Mate, remate. Morra renasça. Morra, renasça. Morra, renasça.” – Caetano Veloso e Pedro Novis

“Eu sei…
Que você tem medo de não dar certo
Pensa que o passado vai estar sempre perto
E que um dia eu posso me arrepender
Eu quero
Que você não pense nada triste
Pois quando o amor existe
Não existe tempo pra sofrer
Eu vou tirar você desse lugar
Eu vou levar você pra ficar comigo
E não interessa
O que os outros vão pensar
Eu vou tirar você desse lugar
Eu vou levar você pra ficar comigo
E não interessa
O que os outros vão pensar
Eu vou tirar você desse lugar” – Odair José

 

“Fazendo arte politicamente: o que isso significa? Fazendo arte politicamente significa dar forma. Fazendo arte politicamente significa criar algo. Fazendo arte politicamente significa ser a favor de algo. Fazendo arte politicamente significa usar a arte como instrumento. Fazendo arte politicamente significa criar uma plataforma com o trabalho.Fazendo arte politicamente significa amar o assunto com o qual se trabalha. Fazendo arte politicamente significa inventar diretrizes para si mesmo. Fazendo arte politicamente significa trabalhar para o outro. Fazendo arte politicamente não significa trabalhar para ou contra o mercado.Fazendo arte politicamente significa ser um guerreiro.” – Thomas Hirscchorn

Era uma vez um vilarejo que vivia em sua pseudo-fantasia de cidade grande. Aos poucos e ao longo de sua parca história, os moradores construíram um muro imaginário que o dividia em dois lados. Apesar de terem visto em alguns telejornais (também fictícios) que os muros estavam sendo demolidos em algum outro universo, estes tais moradores insistiram que a partição seria a lógica mais lúcida para que o convívio fosse harmonioso. O que não esperavam era a possibilidade recôndita//genética de multiplicação do muro que por vontade própria, replicava-se vagarosamente como um vírus e sem nenhum controle. Aos poucos, o muro tal foi cumprindo com muito cuidado e estratégia política seu alvo mais potente: enclausurar cada cidadão. Quando toda a situação parecia intransponível, em virtude do sufocamento e da aniquilação do diálogo, do afeto e da pluralidade (já que o que se via era apenas uma cidade repleta de muros nômades), três moradores resolveram tentar uma nova empreitada: falar muito próximo à parede imaginária como se fossem capazes de lamber e fraturar a invisibilidade dura através de alguma palavra sussurrada. Infelizmente foi apenas uma estratégia e o resultado não pôde ser comprovado porque todos ali desapareceram. O que restou foi apenas um conjunto de palavras vazias para ouvidos moucos, que curiosamente, foram achadas em uma expedição interestelar.

1 – Eu Sou Branquinha (Por Daniela Mattos)

“Não choro,
Meu segredo é que sou rapaz esforçado,
Fico parado, calado, quieto,
Não corro, não choro, não converso,
Massacro meu medo,
Mascaro minha dor,
Já sei sofrer.
Não preciso de gente que me oriente,
Se você me pergunta
Como vai?
Respondo sempre igual,
Tudo legal,
Mas quando você vai embora,
Movo meu rosto no espelho,
Minha alma chora
Vejo o Rio de Janeiro
Comovo, não salvo, não mudo
Meu sujo olho vermelho,
Não fico calado, não fico parado, não fico quieto,
Corro, choro, converso,
E tudo mais jogo num verso
Intitulado
Mal secreto” – JardsMacalé

Era uma vez uma moça: uma branquinha, branca “leite azedo” como ela às vezes se auto-intitula para fazer graça. Ela já não era tão moça, mas muitos acham que é – seu segredo é que é rapaz esforçado que fica parado quieto, como diz aquele poema/música que o primo preto dela compôs. A moça tinha um coração aberto, uma vontade de abrir ele para quem também se mostrasse de coração aberto. E ela achou dois corações abertos, logo ali, na frente do Fórum do Rio de Janeiro. Os três se encontraram um pouco por acaso, foram apoiar um rapaz violentado pelo estado, negro e pobre, que ainda hoje permanece preso. Mas ela, como eles, acredita que podem jutar forças, abrir seus corações que já andam dilacerados: o dela por alguns motivos que passam pelo cotidiano cão e pela macropolítica degredada; os deles também, sendo que no caso dos dois moços a violência vivida não é apenas subjetiva, é real e diária; eles, diferente dela, precisam se mobilizar minuto a minuto em suas comunidades para não levarem bala perdida ou serem tomados como bandidos, algo perversamente comum na nossa militarizada e vil cidade. Ela nunca morou na favela como eles, sua vida se passou em um bairro histórico da zona norte, considerado “longe” pelos moradores da zona sul. Ela passou a infância dividida entre a vontade de sair da zona norte e, ao mesmo tempo, gostava de se embrenhar nas suas profundezas, saindo dali e indo também para a zona oeste onde tem famíla, tudo isso para dançar funk e se sentir menos branca. Ela, como a Madonna, queria ser preta desde adolescente, mas criada por uma familia de classe média baixa, de avós macumbeiros e gestores de orfanato, reproduzia um racismo velado, muitas vezes sem que ela mesma tivesse noção disso.

Naquela tarde depois do encontro no Fórum, a moça e os moços conversaram, almoçaram juntos, riram muito, tomaram café e se admiraram – assim ela sentiu seu coração menos dilacerado. Na mesma tarde os três iam em um evento, um debate acerca de um projeto chamado ComPosições Políticas: Outras Histórias do Rio de Janeiro, no qual os dois eram parte do grupo de artistas convidados. Da platéia elaouvia eles e as outras e outros envolvidos no projeto, buscava entender suas falas, discordava de algumas, empatizava com outras, mas via que ali estava se abrindo um espaco dialógico para as tantas críticas que o projeto recebeu de muitos lados. A exposição dos projetos desenvolvidos durante a realização de uma residência artística na favela da Maré, que contou com participantes locais e também de outras áreas do Rio de Janeiro, havia aberto uma semana antes. Um dos trabalhos, realizado por um artista/ativista branco e morador do Leblon levantou questões pesadas. O uso de imagens, algumas retiradas das fontes da grande mídia golpista, reiteravam o genocídio da população negra e pobre no Rio de Janeiro. Tais imagens foram associadasde modo sarcástico à identidade visual de souvenirs desenvolvidospor motivo dos Jogos Olimpícos, provocando um ruído ensurdecedor. Além disso, o trabalho se “completava” com uma performance do rapaz branco que vendia os taissouvenirs, para supostamente cobrir os gastos de produção dos objetos. Lembremos, porém: isso é uma ironia, um enviesado questionamento acerca daviolaçano de direito à vida imputada pelo Estado: dos assassinatos em massa de jovens negras, negros e pobres à violência subjetiva (e em alguns casos física também) que nós, brancas e brancos de classe média somos submetidos – afinal, como a moça que co-protagoniza esta fábula, sabemos o peso que carregamos por muitas vezes não podermos fazer algo mais que resulte em uma ajuda efetiva, que possa contribuir de fato e dar um basta em tamanha violência.

Voltando para o episódio do debate: ele foi coroado com uma aula sobre quem deve falar ou não sobre a violência contra as pretas e pretos. Algumas delas e deles recontaram de suas próprias perspectivas como as negras e negros sofrem diariamente diversos níveis e esferas de racismos, sejam eles oriundos de quaisquer classes sociais; elas e eles ressaltaram ainda que princimente os pobres e favelados são os que permanecem invisibilizadas/os, silenciadas/os, presas/os, torturadas/os, mortas/os. O grupo do Movimento Negro que invadiu o Centro Municipal Hélio Oiticica pela janela naquele dia veio para nos ensinar, ensinar a nós, brancas e brancos da esquerda festiva “de bouas”, aquelas/es que acreditam viver em uma democracia, que não, não vivemos em um Estado Democrático de Direito, ainda que tenhamos conquistado a reabertura deste nosso frágil e parcial sistema democrático, isso não é a realidade de todas/os; isso de fato não existe para muitas/os. Temos no entanto um grave impecílio cultural: assim como a “moça leite azedo” deste estória, nós, as/os brancas/os que têm mestiçagem em sua genealogia familiar, advindo de índias/os miscigenadas/os a pretas/os, miscigenadas/osa brancas/os europeus em muitas combinações possíveis, que geram grupos étnicos variados como nos ensinaram na Escola (Cafusos, Mamelucos, etc), podemos chrgar ao cúmulo de achar que justo por isso estamos salvaguardadas/os de algummea culpa… Pois não caras/os amigas/os, não há salvo-conduto, tampouco existe racismo contra nós – isso é a invenção de uma neurose protetiva, que faz com que continuemos a reforçar que cabelo crespo é ruim, que quem tem mais melanina tem pé na cozinha, que mulata é uma palavra bonita e representativa de brasilidade.
Durante a intervenção Negra no debate, um dos moços de coração aberto tentou diálogo com o grupo insurgente. Ele mesmo negro, favelado e ativista, não alardeia seus feitos políticos, guarda isso para si e segue na luta. A moça branca de coração aberto aprendeu muito com essa postura, compartilhada também pelo outro moço, um pardo de coração aberto.
O que temos a ganhar com essa intervenção, assim como com todos os trabalhos apresentados na exposição que integra o projeto ComPosições Políticas é abrir debates. Serão necessários muitos outros, muitos e muitos mais. Certamente vários deles serão também traumáticos para geral, para nós todos. Se não quisermos seguir“ruins da cabeça nem doentes do pé”, não podemos mais guardar no peito esse mal secreto – afinal, como Hélio Oiticica segue nos ensinando,“a pureza é um mito”.

2 – Narciso & Esquizo(Por Leonardo Bertolossi)

“Em antropologia, há certos problemas para os quais não há Said(a).” – Marshall Sahlins
“Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.” – Oswald de Andrade
“Não vou me transformar num homem de passado algum. (…) Minha pele negra não é um repositório de valores específicos. Será que não tenho coisas melhores a fazer nessa terra do que vingar os negros do século XVII? Como homem de cor, não tenho o direito de esperar que haja no homem branco uma cristalização de culpa em relação ao passado de minha raça. Será que vou pedir a um homem branco de hoje que responda pelos traficantes de escravos do século XVII? Será que vou tentar por todos os meios disponíveis fazer com que a culpa brote em suas almas? Não sou escravo da escravidão que desumanizou meus ancestrais. Eu me encontro no mundo e reconheço ter um único direito: o de exigir dos outros um comportamento humano.” – Frantz Fanon
“O Ser Humano, tal como imaginamos, não existe.” – Nelson Rodrigues

Eu ainda não conheço pessoalmente a favela da Maré. E entre minhas performatizaçõese como sou visto/entendido pelos outrxs, sou considerado branco, nova classe média, homossexual e cisgênero. Mas independente da minha localização contextual e “confissão identitária” narcísica e relacional (dessas que a Igreja e o Estado adoram, diria Foucault), sou gente. E como gente posso me identificar pelos meus iguais na diferença e na desigualdade, falar dos outros, com os outros, pensar com seus conceitos e me afetar junto. Posso até querer ser outrxs, dentro do possível. É desta maneira que uma “maré de desejo” de escrever sobre essa exposição se inscreve. E este texto se pretende mais etnográfico que crítico, quer ver de perto os trabalhos e evitar os estereótipos e posições apressadas. É preciso desacelerar.
Nasciem Cabo Frio, fui criado no Centro de Niterói, tive acesso à universidade pública, me formei historiador e antropólogo, hoje me vejo às voltas com as artes visuais – essa “melhor do humano”, essa “fábula” que revolve a cultura e a vida contra as “artimanhas do capitalismo”. Observar, sentir e pensar “ComPosições Políticas: Outras Histórias do Rio de Janeiro” tem a ver com meu interesse pelos diagnósticos sobre os “fins da arte” e o gosto deste campo pela vida, pelos afetos, pela diferença dita antropológica (muita das vezes fetichizada e tornada primitivista). Mas, sobretudo, em também poder pensar a cidade do Rio de Janeiro e suas gentes de cores, dores e amores variados, imensuráveis e incomparáveis.
Essa cidade dita partida num momento de muros reais e subjetivos inventados e estimulados pelas macro e micropolíticas da psicopatologia da vida cotidiana, e pela violência estatal e policial; essa encruzilhada de demandas; essa oferta e consumo desenfreado de identidades, essa mistura bela e caótica do “Rio quarenta graus”, inútil paisagem clichê, cartão-postal souvenir para anseios vira-latas e futuristas de nosso desejo mítico de “país do amanhã”…
“Composições políticas” é sobre todos, sem privilégios, um “monstruário” de dores, sonhos e desejos de gentes de dentro e de fora da Maré, e, sobretudo, sobre as experiências de artistas desta comunidade e das Zonas Norte e Sul da cidade, que viveram no complexo por um mês e resolveram traduzir pela arte os encontros que mais lhe afetaram. Uma exposição de muitas vozes, pandemônio que já nasce sob a alcunha do conflito – evidenciadonão apenas pela intensa reação crítica no Facebook aos trabalhos e ao pertencimento social dos artistas envolvidos, mas também no dia do debate público no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica onde a mostra está em exposição. A quem pertence as imagens evocadas e quem as representa? A controvérsia em torno das acusações acerca da legitimidade do staff em ecoar e estetizar as marginalidades, as periferias e os históricos abismos raciais – assim mesmo, no plural, porque sempre há diferenças e desigualdades internas a cada lugar – é o mote principal da visibilidade e da polêmica na qual a exposição e seus artistas se viram envolvidos.

Me chamou a atenção ver a presença de um vaso com espadas de São Jorge na passagem da primeira para a segunda sala. Elemento cênico improvável naquele contexto, a planta está associada ao combate ao mau-olhado na cultura popular e nas religiões de origem afro-brasileira. São Jorge, além de santo querido da devoção carioca, é associado com Ogum, aquele que abre os caminhos e enfrenta as demandas, mas também com o soldado romano nascido na Capadócia, Turquia, tendo se convertido ao cristianismo e torturado por ter renunciado aos deuses pagãos. Ao ver aquele “paisagismo expográfico” na região fronteiriça de uma sala para outra (e as fronteiras são sempre poderosas e perigosas porque podem reformular as estruturas), minha visão saiu da Maré por instantes, e fui levado para os conflitos entre o cristianismo e o paganismo romano, apropriados culturalmente nos fluxos e devires do percurso por pintores da Renascença, mas também adiante, com o orixá da guerra e do ferro.
Mas voltemos para as composições políticas que interessam. Nessa guerra de religiões e interesses que a olímpica vitrine carioca se tornou apartando passados e futuros, entre trens que volitam, e comunidades arrasadas pela gentrificação (no contínuo paripassu Passos-Paes), imagens como trabalhos artísticos foram produzidas pelos artistas mencionados, ressoando e testemunhando os estilhaços desta guerra urbana.
Neste tempo desenfreado de notícias breves e cidadãos jornalistas e ativistas nas redes sociais, uma banca de jornal é levada pela artista Leila Danzigerpara perto da encruza na qual se localiza o Centro de Arte Hélio Oiticica e jornais amassados com notícias de anônimos (muito aquém das colunas sociais) nos remetem a uma arqueologia do futuro de vidas efêmeras que insistem em sobreviver e lutar para além do seu destino como o papel de peixe do dia seguinte. Como resistir e permanecer?

O enfrentamento da evanescência e da invisibilidade histórica pós-extermínio aparece potente ainda no trabalho do artista Wagner Moraes que se trata de uma instalação com camisetas de pessoas assassinadas pela polícia e pelo tráfico de drogas, um habitus estratégico de resistência da comunidade de “vestir a camisa” e as dores dos seus outros. Noutro contexto, a artista Aleta Valente transfigura a sua persona com a de uma presidiária que deu a luz a uma criança numa solitária do Complexo Penitenciário de Bangu, de modo a problematizar não apenas o mutismo e a invisibilidade sobre a história dos detentos, como também o desamparo e a negligência do Estado com as mulheres, ainda mais fragilizadas dentro de uma cultura machista como a brasileira.
A literalidade quase didática do trabalho do artista Rafucko, que transforma o extermínio em souvenirs “para gringo na laje ver”, tais como pratos com o símbolo do BOPE, bichos de pelúcia do caveirão e cartões postais da Vila Autódromo foi intensamente rechaçada e o artista optou por retirá-lo da exposição. Uma censura controversa, considerando-se o potencial agressivo deste trabalho não apenas para ironizar o campo das artes visuais e sua relação tensa com o mercado (algo posto no dadaísmo, na pop art, na arte povera e em algumas poéticas críticas do espetáculo nos anos 90), mas, sobretudo, para pensar o valor da vida humana ali presentificada em suas encarnações materiais como regalos de viagem, quase uma “biopirataria” num contexto desenfreado de imagens digitais por toda a parte, forte crítica ao Estado policial racista e ao genocídio.

A artista Hevelin Costa se aventura pela Avenida Brasil com câmeras no corpo de modo a estranhar e ampliar o olhar para o corpo da cidade ao seguir os transeuntes no interior dos ônibus que passam por esta artéria fundamental. O artista Gê Vasconcelos testemunha a via crucis de cruzar a cidade e ser revistado e barrado por policiais na tentativa de acessar as praias da Zona Sul através de um diário-testemunho que mescla sua vida como obra, metáforas para pensar a passagem do tempo, o trânsito dos sonhos, dos desejos e as interdições variadas aos quais parte da população carioca é submetida na vida cotidiana por um Estado de exceção. Circunscrições do percurso como escarificações subjetivas seguem como tema no trabalho-experiência de Guga Ferraz que esquadrinha os limites geográficos da favela da Maré e das muitas limitações em representá-lo – uma das soluções formais foi um tríptico que problematiza a vista do ponto que funda o ponto de vista.
Um mosaico geométrico do Google Maps é apresentado pelo artista Francisco Valdeande modo que a plataforma se torna “co-artista” ao dispor imagens para buscas com palavras-chave tais como “comunidade”, “favela” e “complexo”. Tal qual um “construtivismo irônico”, o trabalho parece nos alertar para os olhares mesquinhos e etnocêntricos que possuímos sobre nós e sobre os outros a partir de referências das estruturas sociais como “modelos reduzidos” da existência, um perspectivismo e um jogo de escalas entre ver e ser visto, ver de perto e ver de longe. As ideias de ver junto e entrever surgem também na problematização das artimanhas do enquadramento que aparecem no trabalho de Naldinho Lourenço em que uma das moradoras do complexo enfrenta a polícia. A imagem, disposta na internet, atraiu uma profusão de legendas a pedido do artista. Além de diversos comentadores e do público na mostra, a própria representada interferiu na obra que segue agenciando, “vazando” e se transformando, múltipla em seus pertencimentos e autorias.
Essa exposição não fala apenas de extermínios e desconsolo. Ou ainda de “brancos ricos versus negros pobres” como supõe parte das críticas que a mostra sofreu. Versa sobre mistura, esperança e sobre a urgência de diálogo e de futuro. O artista Josinaldo Medeiros apresenta seu auto-retrato ao lado de três caveiras (dialogando com o trabalho três cadeiras de Joseph Kosuth) – um dos carros blindados da PM conhecido como caveirão, uma criança segurando um carrinho do caveirão que está presente na mostra, e um texto dissertando sobre o trabalho. Se a morte está ali ao lado presente na suposta política de “pacificação” do Estado, a vida emerge da infância presente no belo trabalho da artista Lívia Diniz que criou um “cafofo” para brincar com as crianças que conheceu num dos becos da Maré, uma arte-brinquedo com apetrechos e gambiarras que as conectam, alimentando possíveis em trocas cujo impacto cognitivo e emocional da experiência educativa é, ao contrário do pragmatismo imediatista e produtivista da vida do consumo, indeterminada.
“ComPosições Políticas” é também uma exposição sobre dúvidas e transformações. Que lança perguntas,produz estranhamentos e se propõe desnaturalizar imagens de sofrimento (como aquelas com as quais estamos acostumados desde a presença dos escravizados nas obras de Debret presentes nos livros didáticos). Artistas se dizem transformados, amizades foram criadas com pessoas da Maré, deslocamentos simbólicos e efetivos tem acontecido. Afirmar isso não se trata de ser cínico e ignorar as contradições, violências e conflitos que se dão no Rio de Janeiro (e em toda parte) entre pessoas e grupos de pertencimentos sociais, raciais e de gênero variados. Ou ainda desconsiderar o aspecto predatório e a “erotização imagética” que existe nas favelas da cidade, travestidos em políticas sociais com os moradores das mesmas.
Mas apostar menos no conflito e mais na partilha dos protagonismos, creditar a cooperação e a vocação das artes (essa antropologia) para tentar viver junto, criar pontes entre mundos e trocas de perspectivas. E evitando a “missão civilizatória”, sem ser populista, maniqueísta e demagógico ao essencializar e infantilizar o outro como vítima sem capacidade de ação no mundo, sem alegrias e só com dores e mazelas. É apostar na amorosidade contra os muros, no debate ao invés do embate, em permitir o esquizo promíscuo contra o narciso fascista que nos habita independente da cor/raça e classe social. E tentar sem ser um “artista etnógrafo” que folcloriza a diferença, “consumir o consumo”, como diria Hélio Oiticica, tentando driblar e subverter com todos os erros e errâncias possíveis no percurso, as estetizações zumbificadoras do “capitalismo artista”.

3 – Ahhhhh Fábula do Gozo (Por Alexandre Sá)

“Teoria é bom, mas não impede que isso exista.” – Charcot
“Ah, se ao menos soubéssemos o que existe!” – Sigmund Freud
“Digo que a paixão histérica não é mais uma afecção simples; devemos entender, por esse nome, vários males ocasionados por um vapor maligno que de algum modo se eleva, que é corrompido e sofre uma extraordinária efervescência” – Chesneau

_________________________________________. Há sempre algo da letra que escapa à possibilidade de ser lido. Algo que é da ordem do Real (entendido como perda). Algo que, se compreendido enquanto dobra do tecido significante, jamais poderá vir a ser iluminado, embora se revele a todo instante como elemento que precisa e exige alguma luz (no sentido nada religioso). Eis o paradoxo. A letra é uma dobra. E o texto, um conjunto de rugosidades que podem vir a se encontrar para amalgamar as suas nebulosidades e suas incertezas. Nenhum texto será capaz de dar conta do processo violento de experiência do viver. Mas por qual razão ainda insistimos em escrever? Esta talvez seja a primeira pergunta que de sobressalto, vôo e dobra outra pode vir a precipitar um novo lance de dados. Por que ainda insistimos em inscrever? Inscrever aqui pode vir a ser entendido como um desejo de provocar algo de si no outro. Ou do outro no em si(tu). As pressupostas parcerias (inclusive entre eu e seus olhos) sempre movediças, talvez por um descuido eventual, esquecem-se de um legítimo devir-peremptório: Não há relação sexual. Nunca haverá.
A experiência do gozo que por si só, já é fálico (para além da ingênua dicotomia masculino e feminino), sempre será um exercício de solidão Saara. Quando eu gozo contigo, gozo através de ti enquanto instrumento. Meu gozo-fera-selva é da ordem inacessível, inclusive para mim. A salvaguarda do gozo é o seu segredo que talvez venha da terra do sem-nome, onde o silêncio retumba e onde não é possível um espaço para que qualquer outro venha a caber. Neste sentido, tudo o que pode vir a ser pressupostamente inscrito, por mais que tenha como por objetivo fracionar e friccionar a experiência do ser, e por mais que inclusive consiga isto em momentos eventuais; jamais se inscreverá em sua totalidade. A totalidade também é incompleta. E só por isto, pode vir a acreditar na ingenuidade do exercício de ser total.
E em certo sentido, as Artes (em alguns instantes históricos específicos) compreenderam tal processo. A experiência estética (da mesma forma que a experiência criadora – choro de criança com birra) além de ser não-toda, será cambiante e de acordo com uma subjetividade individual; mesmo em momentos onde à princípio, o desejo ingênuo de abrangência didática, pedagógica e regulatória (whynot?) se revelou como norteadora e fruto de uma lógica política. Desta forma, antes de começar qualquer coisa que seja, ilfaut aceitar a impossibilidade de consenso e de comunhão.
(Volte para o seu lar)
Para Freud (1926), “o sintoma é indício e substituto de uma satisfação instintual que não aconteceu, é consequência do processo de repressão”. Ou seja, o sintoma é alimentado pela repressão de um processo legítimo e instintivo. Por certo, a dúvida ainda é inevitável: qual o fim da pulsão que passou pelo processo de recalcamento? Obviamente, “o prazer que se esperava na possível satisfação, foi transformado em desprazer, e então nos vimos diante do problema de como o desprazer poderia resultar de uma satisfação instintual.” Assim, é possível perceber que eventualmente (risos) o desprazer surge como resposta a uma satisfação. E já que a satisfação também traz em seu cerne algo de prazer, chegaríamos à conclusão de que na lógica da pulsão, prazer e desprazer podem vir a aparecer de mãos dadas na porta da igreja imaginária.
Arriscando alguma simplicidade, é possível considerar que a história da arte em suas infinitas dobras, sempre estabeleceu relações de retesamento e de liberação de forças pulsionais que, de acordo com os interesses norteadores e após o estabelecimento do(s) sistema(s) enquanto tal(is), atendia a uma demanda paradoxalmente natural e habilmente construída. A lógica do prazer encarnado em desprazer ou seu contrário, também pode ser percebida, em suas gradações e matizes ao longo do tempo. Por certo, tal análise não pode vir a ser quantificada e tal proposta seria inclusive, extremamente ingênua. Contudo, o século XX, em suas feridas cravadas no terreno profícuo do existir, conseguiu nos seus primeiros 50 anos potencializar o recalque de um conjunto de forças que acreditou-se estarem resolvidas enquanto diálogo por debaixo do tapete da humanidade. A esterilidade-design de alguns tantos trabalhos (mesmo em seus contrafluxos – como no surrealismo por exemplo) não abarcou a efervescência de um conjunto infinito de homens que travavam com grande energia um duelo entre si e entre suas próprias angústias.
Tudo isto é um debate velho. Mas talvez sua retomada aqui seja relevante para que lembremos que o recalque traz em si, de maneira recôndita, algo de júbilo narcisista (tudo sempre em mão dupla – pop). Sendo assim, correríamos o risco de considerar que as relações de gozo e de dor estariam amalgamadas de maneira íntima (vide as parcerias semânticas entre impressionismo e expressionismo), mesmo que suportadas por processos beligerantes de dominação e de disciplina. Lembrando ainda que talvez haja algo de concreto para o qual não podemos deixar que a cegueira nos ilumine como sintoma: em alguns casos (eu disse, em alguns casos), o processo de decrepitude da humanidade foi autorizado por ela mesma e pelas associações internas que foram feitas.
É lógico que múltiplas variantes entram no jogo. E seria estúpido desconsiderar o tanto de perversidade instrumental que norteou algumas escolhas ou mesmo, o tanto de não-escolhas que de maneira perversa, formaram um legado desgraçado da existência humana em sua cobiça de dominação do outro ao longo dos últimos cem anos. Por outro lado, se resolvêssemos trazer tudo isto para os dias atuais em seu tetrispseudo-político, talvez precisássemos considerar que houve algo no projeto humano que escapou totalmente à lucidez de um convívio possível; e tal fatalidade e fracasso também foram erigidos por um grupo de pessoas que, em determinado momento, acharam que poderiam carregar alguma verdade e alguma certeza.
Então, como todo mundo sabe que todo mundo sabe, a produção em arte da segunda metade do século XX, resolveu “dar voz” à alguma parte daquilo que foi calado por nós mesmos anteriormente. Primeiro seria importante lembrar que sempre haverá algo que sobra e que não consegue ser traduzido ou representado pela arte enquanto tal; e que além disso, não se dá voz a ninguém. Historicamente, as vozes só conseguiram ser ouvidas quando tomaram à palavra (provavelmente com estratégia e conduta acertadas). Talvez, em uma outra instância, coubesse-nos perguntar em que medida a arte, pós-in-espetáculo, pode vir a provocar uma fratura no tecido cruel do status quo. Em uma terceira camada, uma última pergunta surge: Em que medida é possível considerar que as relações de discussão, debate e questionamento da realidade (incluindo inclusive as questões recorrentes) conseguem escapar à uma lógica de controle, moda e produto? Ou pior e mais jugular ainda, tais tensionamentos não são parte de uma estrutura dura que precisa de tais personagens para que se exima de uma culpa cristã (no pior sentido) do existir? Trocando em miúdos, o local da tensão também não seria parte de um processo espetacular?

De qualquer forma, é inegável o problema das minorias. Inclusive em países como o Brasil. Não há como achar que nossa construção histórica, social e econômica foi e é igualitária. Algumas ações políticas recentemente tiveram como objetivo redimensionar tais abismos e não são poucos os exemplos que temos de sucesso, inclusive no que se refere ao acesso à educação, saúde e cultura. Contudo, é importante explicitar que existe algo de descompasso em nós mesmos que é ancestral. Que está arraigado em nosso solo anterior e que precisará inevitavelmente de mais alguns muitos anos para que possamos nos aproximar de um processo de relação mais equilibrada e mais lúcida. Tal descompasso e perigo que carregamos na relação com outro por certo é potencializado nas relações com grupos que historicamente fomos marginalizados, mas também se coloca enquanto questão em outros universos mais plurais como por exemplo na academia, nas Artes, nos afetos e etc…
A questão é como estamos tentando lidar com todas essas fricções. Se como dito anteriormente, não podemos nos distanciar da lógica espetacular, há um conjunto de elementos que parecem potencializar num mau sentido a relação cada vez mais beligerante e radical entre os pares e entre suas respectivas opiniões. A isto podemos adicionar um aumento considerável da intolerância, uma solidificação das identidades, uma descrença na política enquanto forma de conduta, uma diminuição da possibilidade, do tempo e do interesse da escuta, uma obsolescência do amor como veículo, uma pasteurização das diferenças globais e uma ansiedade assustadora na obtenção do outro enquanto uma idealização fantasiosa dos próprios desejos. Tudo milimetricamente suportado por uma histeria coletiva que engrossa a névoa da percepção de si e do outro.
Foucault defende que o poder é um modo de ação de alguns sobre os outros e que só existe em ato. Além de nunca ser a manifestação de um consenso.Para ele, o exercício de poder, compreendido de maneira expandida, será uma tentativa de conduzir condutas, não sendo estabelecido através da relação de disputa ou de violência entre dois polos opostos, mas através da possibilidade de produção de relações e comportamentos, de modo a estruturar o eventual campo de atuação dos outros.
“O modo de relação próprio ao poder não deveria, portanto, ser buscado do lado da violência e da luta, nem do lado do contrato e da aliança voluntária (que não podem ser mais do que instrumentos); porém, do lado deste modo de ação singular – nem guerreiro nem jurídico, que é o governo”
E ainda, não é possível, para Foucault, analisar a relação de poder nos espaços institucionais:
“Contudo, a análise das relações de poder nos espaços institucionais fechados, apresenta alguns inconvenientes. Primeiramente, o fato de uma parte importante dos mecanismos operados por uma instituição ser destinada a assegurar sua própria conservação apresenta o risco de decifrar, sobretudo nas relações de poder “intra-institucionais, funções essencialmente reprodutoras. Em segundo lugar, ao analisarmos as relações de poder a partir das instituições, nos expomos de nelas buscar a explicação e a origem daquelas; quer dizer, de explicar o poder pelo poder. Enfim, na medida em que as instituições agem essencialmente através da colocação de dois elementos em jogo: regras (explícitas ou silenciosas) e um aparelho, corremos o risco de privilegiar exageradamente um ou outro na relação de poder e, assim, de ver nestas apenas modulações da lei e da coerção.”
A exposição Composições Políticas, em cartaz no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica (02/04/2016 a 21/05/2016) é resultado de um conjunto de ações que inclui inclusive uma residência na comunidade da Maré. Mesmo que no site do projeto (http://www.composicoespoliticas.com), o confuso texto, filho provavelmente de um confuso desejo/projeto e um mais confuso ainda edital, deixe claro que das 19 obras, apenas 4 estão finalizadas, não há desejo de eximir-se de uma lógica de exposição. E à despeito de todo o debate acontecido nas últimas semanas, quase ninguém optou por discutir a lógica de funcionamento dos trabalhos e a relação dos mesmos com o devir-expositivo.
Considerando que se trata de um edital com financiamento e que milagrosamente incluiu uma verba para cada artista ao longo da residência e um valor baixo, mas existente, para a realização dos trabalhos, acredito que para além de todas as graves questões que atravessam a comunidade, os moradores, os artistas e todos nós, há algo da materialidade (ou imaterialidade que seja) que talvez merecesse atenção. E neste caso, salvam-se alguns poucos trabalhos. Como os de Gê Vasconcelos, Wagner Novais, Naldinho Lourenço, Leila Danzinger (especialmente os alocados na sala da exposição) e os deRafucko.

Este último foi duramente criticado nas redes sociais (que também nos faz acreditar na força da discussão, encobrindo a aproximação histérica do ódio ao próximo) pelo uso da questão da negritude como parte de um processo de fetichização da obra. Em certo sentido, talvez seja um dos trabalhos que termina por tensionar de maneira potente todas as relações que foram sendo estabelecidas ali (arte x espaço público x questões raciais x incapacidade de aproximação da realidade concreta do mundo). Se as imagens carregavam uma carga inaceitável de violência e se os trabalhos poderiam vir a ser comercializados enquanto souvenir-metafórico de uma olimpíada já desastrosa, as encruzilhadas e as imbricações apontadas, talvez ajudassem a desvelar nossa responsabilidade enquanto cidadãos diante das infinitas fatalidades que ocorrem todos os dias em diversas comunidades do Brasil e do mundo e que servem inclusive, como elemento de promessas, fotos de jornais, milagres e eleições políticas. Apesar de não conhecer seu trabalho como artista visual (se é que há), e embora reconhecendo sua importância enquanto provocador público, a impressão que surge é que o trabalho foi eleito como uma válvula de escape para um ódio contido que foi recalcado ao longo de alguns séculos e para outras discussões internas da exposição que vieram se arrastando em quase silêncio. Por outro lado, caso o mesmo acreditasse na potencia de debate e provocação do trabalho enquanto tal, jamais o teria retirado da exposição. O que terminou acontecendo.

Se é inquestionável a qualidade da atual gestão da diretora do espaço, IzabelaPucu, em fomentar discussões, ampliar as relações institucionais e principalmente, revitalizar o espaço (que já passou por fases deprimentes), parece que parte da opinião pública desconsiderou a validade do desejo, a necessidade do processo, a atualidade das questões e a elegância inevitável e esperada para que possamos discutir assuntos tão graves (embora recorrentes) do tal contemporâneo. Em um último debate ocorrido no espaço, a violência discursiva parecia esquecer que havia ali, injetado de maneira viral e silente, algo de chicote e busca de um algoz que em primeira instância, estaria dentro de nós mesmos. Em um vídeo compartilhado na rede, um dos presentes, fala de maneira muito veemente que não aceitaria que alguém de outra espécie discutisse questões que lhes são caras. Pensei na lógica das residências de arte, nos pintores viajantes, na perversidade pictórica de Debret, no sonho high society de Basquiat, no cargo no candomblé de Pierre Verger e na dedicação absoluta de Gisele Cossard (Gisele Omindarewà). Pedi a benção. Fechei o vídeo. E quase que menino, respirei cheio de tristeza ao lembrar que esquecemos o que vem a ser espécie, diálogo, política e amor. Nenhum aplauso. Nenhuma veemência.
(Este texto é para Marisa Flórido)

Referências

FOUCAULT, M. Como se exerce o poder? In: DREYFUS H; RABINOW, P. Michel Foucault, uma trajetória filosófica. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995. Tradução de Vera Porto Carrero.
FREUD, S. Obras completas vol 17. São Paulo: Companhia das Letras, 2014. Tradução de Paulo César de Souza.
LACAN, J. Seminário 18. De um discurso que não fosse semblante. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2009. Tradução de Vera Ribeiro.

 

Os Contadores de Histórias são:

Daniela Mattos é artista, educadora e curadora independente. Desenvolve sua produção em artes visuais desde o início dos anos 2000 com enfoque nas práticas da performance, fotografia, videoarte e escrita de artista. Participou de diversas exposições, mostras de vídeo e publicações, no Brasil e no exterior. Sua principal exposição individual foi intituladaUm teto todo meu em homenagem a Virginia Woolf, sendo realizadano MAC-Niterói, de Dezembro de 2014 à Março de 2015.Suas mais recentes exposições coletivas: Nós (Caixa Cultural RJ, 2016); Da Escrita delas, Elas (Galeria do Lago/Museu da República, 2015) ePlay (Museu Bispo do Rosário, Rio de Janeiro, 2013/2014). Seus principais projetos curatoriais: Partir de Paula Parisot (EAV-Parque Lage, Rio de Janeiro, 2014), Para não seguirmos lassos desse mundo (Curadoria publicada em sua Tese de Doutorado, defendida na PUC-SP, 2013); A Performance da Curadoria (Paço das Artes, SP, 2011). Como educadora, tem atuado em escolas de arte, museus, universidades e cursos livres. Atualmente é Pós-Doutoranda no PPGAV-EBA/UFRJ, em Linguagens Visuais, contando com a supervisão da artista e professora Lívia Flores e subsídio de bolsa PNPD-CAPES.

Leonardo Bertolossi é historiador, antropólogo e brinca de artista na internet. Fez o mestrado em Antropologia Social no Museu Nacional/UFRJ e o doutorado na mesma área na USP. Ao longo de sua graduação em História pela UFRJ trabalhou como arte-educador em diversos museus e centros culturais da cidade do Rio de Janeiro. No mestrado pesquisou as políticas e poéticas de representação do NationalMuseumofthe American Indian, do SmithsonianInstitute, com ênfase nas exposições e nas trajetórias de artistas contemporâneos indígenas norte-americanos. No doutorado se concentrou no circuito e no mercado primário de arte contemporânea nos anos 80 e 90, com ênfase na geração 80, na Bienal de São Paulo, e no debate em torno da identidade da arte brasileira e latino-americana diante da internacionalização. Desde 2013 vem ministrando cursos de extensão sobre arte e antropologia no Centro de Preservação Cultural Casa de Dona Yayá da USP e no Centro Cultural Justiça Federal. Atualmente é pós-doutorando em Artes Visuais pelo PPGAV/UFRJ, e professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

Alexandre Sá vive e trabalha no Rio de Janeiro. É psicanalista e pós-doutor em Estudos Contemporâneos das Artes pela Universidade Federal Fluminense. É um profissional híbrido que trabalha com as mais diversas linguagens (instalações, performances, objetos e vídeos) e sua pesquisa plástica tem como preocupação estética as relações entre o texto, a imagem, a poesia, a psicanálise e o corpo. Uma de suas particularidades é o diálogo entre teoria e prática, pois atua também crítico, escrevendo textos para revistas especializadas; além de desenvolver trabalhos como curador. Coordena o curso de Artes Visuais da Unigranrio. É diretor do Instituto de Artes da UERJ e docente do Programa de Pós-Graduação em Artes nesta mesma instituição.

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