Coleção Airton Queiroz | Espaço Cultural Airton Queiroz – Unifor

A coleção particular de Airton Queiroz tem mais de 800 obras de arte, além das outas quase 800 que fazem parte da Fundação Esdson Queiroz. Delas, 240 foram selecionadas pelos curadores Max Perlingeiro, Fabio Magalhães e José Roberto Teixeira Leite e expostas em oito núcleos: Século 17, Século 18, Século 19, Percursores do modernismo, Modernismo, Presença estrangeira, Abstração e Arte Contemporânea. Dentro de cada núcleo, as obras formam conjuntos por artista ou tema, propondo uma introdução bastante didática à história da arte.

A qualidade das obras que fazem parte da exposição, todas nunca expostas ao público, torna-a atraente também para os já familiares com a história. A primeira obra do percurso já impressiona – um pequeno bispo em madeira de Aleijadinho em excelentes condições, com a pintura quase intacta. Mais à frente, um raro conjunto de aquarelas de Rugendas, estudos de animais brasileiros, também muito bem preservadas.

Em conversa com a imprensa, Max Perlingeiro conta que a principal característica que torna esta coleção única é que ela representa apenas o gosto do colecionador, sem nunca ter buscado uma curadoria ou formar um conjunto representativo ou completo de determinado tema ou época. Isto explica sua diversidade e amplitude. Permitiu também que fossem aproveitadas oportunidades de aquisição de obras raras sem as limitações encontradas pelas coleções curadas – assim foram compradas obras de Rubens, Henry Moore e Max Ernst. Além deles, a seção de arte européia traz um delicado Renoir e obras de Legér, Miró, Dalí e muitos outros. Uma linha do tempo em uma das paredes posiciona a época de cada artista em contexto dos acontecimentos históricos.

A exposição é enriquecida por 60 códigos QR que ligam obras à outros materiais sobre seus autores. Sâo curiosidades, vídeos e até um facsimile do catálogo da Semana de Arte Moderna de 1922. Além deste recurso, o compromisso com o aspecto educativo da mostra é evidenciado pelo cuidado na formação dos mediadores, treinados por Agnaldo Farias. O cuidado com a montagem e iluminação também é latente.

No térreo, a Abstração tem em sua área uma amostra significativa de concretismo e neoconcretismo e, no núcleo Contemporâneo, uma seleção de artistas-chave da arte atual, como Adriana Varejão e Leonílson. A Fundação, aliás, está apoiando a criação dos catálogos raisonnées de Leonílson e Bandeira, previstos para 2017.

Seguindo uma sequência de mostras de peso, o Espaço Cultural Unifor reforça seu papel como um dos mais importantes pontos de cultural de Fortaleza em artes-visuais, dividindo de forma complementar a atuação na área com o Dragão do Mar, que foca em arte contemporânea.

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