Waltercio Caldas

 

 

Waltercio Caldas Júnior (Rio de Janeiro RJ 1946). Escultor, desenhista, artista gráfico, cenógrafo. Estuda pintura com Ivan Serpa (1923 – 1973), em 1964, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM/RJ. Entre 1969 e 1975, realiza desenhos, objetos e fotografias de caráter conceitual. Na década de 1970, leciona no Instituto Villa-Lobos, no Rio de Janeiro; é co-editor da revista Malasartes; integra a comissão de Planejamento Cultural do MAM/RJ; participa da publicação A Parte do Fogo e publica com Carlos Zilio (1944), Ronaldo Brito (1949) e José Resende (1945) o artigo O Boom, o Pós-Boom, o Dis-Boom, no jornal Opinião. Em 1979, sua produção é analisada no livro Aparelhos, com ensaio de Ronaldo Brito, e, em 1982, no Manual da Ciência Popular, publicado na série Arte Brasileira Contemporânea, pela Funarte. Em 1986, o vídeo Apaga-te Sésamo, de Miguel Rio Branco (1946), enfoca a sua produção. Recebe, em 1993, o Prêmio Mário Pedrosa, da Associação Brasileira de Críticos de Arte – ABCA, por mostra individual realizada no Museu Nacional de Belas Artes – MNBA, no Rio de Janeiro. Em 1996, lança a obra O Livro Velázquez e realiza a mostra individual Anotações 1969/1996, no Paço Imperial, Rio de Janeiro, apresentando pela primeira vez seus cadernos de estudos.

Comentário Crítico
No início dos anos 1960, Waltércio Caldas se interessa pela arte e passa a freqüentar exposições no Rio de Janeiro. Estuda com Ivan Serpa (1923 – 1973), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM/RJ, a partir de 1964. O dia-a-dia das aulas e as visitas ao acervo do museu o aproximam da produção moderna e contemporânea. Em 1967, começa a trabalhar como desenhista técnico e diagramador da Eletrobrás e participa de sua primeira exposição coletiva profissional, na Galeria Gead. Na época desenha e faz maquetes de projetos arquitetônicos improváveis.

Em 1969, realiza os Condutores de Percepção, trabalho que é chave em sua carreira. Com ele, inicia uma série de obras feitas a partir da inserção de objetos rotineiros em estojos bem-cuidados com uma plaqueta onde se lê o nome do trabalho, elemento definidor da obra. Esses trabalhos são montados na sua primeira individual, no MAM/RJ, em 1973, com ótima repercussão. Segundo o crítico de arte Ronaldo Brito, as obras expostas são “muito menos objeto de contemplação do que uma forma ativa de veicular um pensamento, de produzir uma crise nos hábitos mentais do espectador”.1

Em 1975, faz a individual A Natureza dos Jogos, no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – Masp. Traz 100 obras, entre desenhos, objetos e fotografias. Três anos mais tarde, realiza esculturas, como Convite ao Raciocínio e Objeto de Aço. Nessa época, cria obras que comentam trabalhos de nomes consagrados da história da arte. Realiza a Experiência Mondrian e Talco sobre Livro Ilustrado de Henri Matisse. Este último trabalho dá inicio a outras obras feitas com base em livros, como Aparelhos (1979), Manual de Ciência Popular (1982) e Velázquez (1996).

A partir da década de 1980, o artista cria maior número de instalações. Em 1980, realiza Ping Pong, e 0 É Um. Três anos depois expõe A Velocidade, na 17ª Bienal Internacional de São Paulo. Ao mesmo tempo trabalha em uma série de esculturas. E se dedica, basicamente, a essa modalidade na segunda metade da década. Faz vídeos, desenhos e intervenções quase invisíveis no espaço; mas sua atividade primordial é a escultura.

Em 1989, instala a sua primeira escultura pública: O Jardim Instantâneo no Parque do Carmo, em São Paulo e cinco anos depois produz outra peça em espaço aberto: Omkring, na Noruega. Em 1996, realiza o monumento Escultura para o Rio, no centro do Rio de Janeiro, onde se evidencia uma síntese de seu trabalho: a sutileza conceitual que sempre o caracterizou, aliada a uma capacidade de mobilização de espaço público.

Notas
1BRITO, Ronaldo. Racional e absurdo citado em CALDAS, Waltercio. Waltercio Caldas: 1985-2000. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 2001. 270 p., il. p&b, color.
Fonte: Itaú Cultural

 

Compartilhar:
Artistas

Bruno Veiga

Bruno Veiga nasceu no Rio de Janeiro, Brasil.
Começou a fotografar nos anos 80 nos diários nacionais O Globo e Jornal …

Artistas

Renan Cepeda

Carioca praticante, de família portuguesa, é formado em Mecânica Industrial pelo CEFET-RJ. Começou a fotografar em preto e branco com …

Artistas

Rodrigo Braga

Nascido em Manaus (AM) em 1976, é radicado em Recife (PE), onde se graduou em Artes Plásticas pela UFPE em …

Artistas

Marcos Bonisson

Marcos Bonisson é artista, nasceu no Rio de Janeiro. Desde 1977, trabalha com fotografia, Super 8 e vídeo.

Estudou gravura, desenho …

Artistas

Leo Ayres

“De repente, começamos a espiar, a observar à distância, a nos colocar no lugar do artista, na posição de voyeurs. …

Artistas

Christiana Guinle

Assim com interpreta textos para as artes cênicas, Christiana Guinle interpreta em suas fotos o feminino contemporâneo e sua complexidade. …

Artistas

Paulo Bruscky

Nasceu em Recife-PE -Brasil , em 21 .03.1949 . Participou com desenhos , pinturas, objetos , esculturas , gravuras , …

Artistas

Kilian Glasner

Kilian Glasner nasceu em 1977 na cidade do Recife.

Sua obra foi premiada no 39° Salão de Artes Plásticas de Pernambuco …

Artistas

Pedro Varela

 
 
Graduado em Gravura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2005, foi bolsista do …

Artistas

Ricardo Chaves

Nascido em Porto Alegre, em 1951, onde vive e trabalha como editor de fotografia do jornal Zero Hora. Kadão, como …

Artistas

Vik Muniz

Filho de pernambucanos,1 Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), onde frequentou aulas do curso de Publicidade e Propaganda. Suas obras são …

Artistas

Ottone Zorlini

Ottone Zorlini (Gorgo al Monticano, 20 de setembro de 1891 — São Paulo, 6 de junho de 1967) foi um …