Victor Haim

Não se deixe seduzir pela superfície das imagens. Esta é uma tentação fácil, uma redução que irá privar-lhe de outras sensações. As imagens captadas por Victor Haim revelam distintas aparições, e têm origens e naturezas diversas, mantendo uma unidade que não se resume à técnica fotográfica, pois está presente também nas formas, nas cores e na maneira como os assuntos são abordados. É preciso ver com calma para estabelecer as relações.
O nosso olhar está aonde o nosso olho vai. Quando encontra suas pinturas nos reflexos das superfícies irregulares (seja na lataria do carro, no café ou na água), após procurar um aspecto específico, porém indefinido, na aleatoriedade, Victor está em busca do silêncio. Uma separação do mundo externo em um abrigo construído.
Mesmo quando seleciona o que será refletido, não há controle sobre qual transformação a superfície irá proporcionar, só é possível dominar a escolha do ângulo e do enquadramento ao fazer a captura – desvelando-se, aí, a visão do artista. Opera-se, então, uma redefinição do mundo com distorções próprias de uma realidade percebida por cada ponto de vista singular do observador. Há o encontro com esse universo silencioso que salta aos olhos de quem para ele olha e o vê. Infinitas imagens gritam diante de nós todos os dias, escolhemos aonde fixar o nosso olhar.
O artista reconstrói o mundo a partir do próprio mundo, cria uma nova realidade ao estancar, na fotografia, a constante mudança das formas e das cores que nos rodeiam. Abrem-se novas perspectivas para o espectador, instigando-o a refletir sobre o que existe para além da superficialidade aparente. Reflexos gerando reflexões; superfícies levando-nos para um denso mergulho.
Victor observa o seu entorno e capta aquilo que o sensibiliza. Sem passar despercebidos, os refúgios do olho, captados pelas lentes, mais do que simples registros, vêm invadir suavemente a nossa percepção do visível, atingindo as nossas sensibilidades de maneira ampla e profunda.
Deixe-se seduzir pelas imagens.
André Sheik – dezembro 2011

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