Felippe Moraes

Felippe Moraes
Por Alexandre Sá
São raros os artistas que atualmente conseguem perceber seu próprio trabalho com tanta destreza e pertinência, conseguindo encadear cada nova proposta dentro de uma trajetória coesa e baseada em questões específicas, sem delas nunca se distanciar. Felippe Moraes é um ótimo exemplo deste tipo de artista que produz de maneira regular e tendo sempre em mente suas preocupações estéticas e filosóficas.

Seu trabalho é em primeira instância, povoado de um quase hermetismo que eventualmente poderia provocar um certo tipo de distanciamento recorrente na arte contemporânea. Por outro lado este pseudo-hermetismo, que talvez também se fundamente através de uma precisão formal absoluta, se desfaz rapidamente a partir do momento em que nos interessamos em mergulhar em suas propostas e em seus jogos de interpretação. Quando isto ocorre, o espectador deixa-se inundar por um conjunto de interrogações e deambulações epistemológicas que, como é possível perceber em grande parte da boa produção do século XX, não optará por trazer resposta alguma, mas sim por, provocar uma névoa levemente risonha que através da conjunção com o trabalho exposto, brinca, ironiza a sua presença e discute o afã de cientificidade que atravessa este tal homem contemporâneo em busca de infinitas soluções para o seu eterno processo de conhecimento//desconhecimento.

O trabalho tem como material semântico a ciência. Suas fórmulas e suas fabulações estão ali. As equações matemáticas, as topologias do terreno (subjetivo e objetivo), a geologia do espaço (entre eu e o tu) e todas as outras possibilidades de compreensão e utilização do afã quantitativo que se estabelece enquanto pesquisa. Contudo, Felippe Moraes faz uso deste material de maneira lúdica, consideravelmente ficcional, como se soubesse da verdade que atravessa tais cálculos e exatamente por isto, optasse assumidamente por desconfiar deles, torcendo-os e aplicando-os já de outra forma, na materialidade refinada dos objetos e proposições; promovendo um tipo de lastro poético que se sustenta pela coragem da sua dúvida, pela certeza inelutável de suas angústias e pela instabilidade de suas formulações plásticas.
Felippe Moraes (1988) vive e trabalha no Rio de Janeiro. É mestre em Fine Art pela The University of Northampton onde foi bolsista do programa Santander Universities entre 2011 e 2013. Suas principais exposições individuais foram “Construção” no Paço das Artes em São Paulo em 2011, “Matter” na MK Gallery no Reino Unido em 2012 e “Ordem” com curadoria de Adriano Casanova na Baró Galeria como resultado de sua residência artística de dois meses na mesma instituição em 2014. No mesmo ano esteve na mostra “Repentista #1” na Nosco Gallery em Londres, Trienal Frestas (2014) no SESC Sorocaba com curadoria de Josué Mattos e na mostra do Prêmio EDP nas Artes 2014 no Instituto Tomie Ohtake, do qual foi finalista. Em 2013 apresentou a exposição “Hipotética” com Jonas Arrabal no Largo das Artes. Esteve em relevantes exposições como “City as a Process” (2012) na 2nd Ural Bienial na Rússia, “The Infinity Show” (2013) na Northampton Contemporary Art Gallery no Reino Unido e “Mutatis Mutandis” com curadoria de Bernardo de Sousa e Bruna Fetter. Em 2015 esteve presente em nas exposições “Coisas sem nome”, com curadoria de Paulo Miyada e Núcleo de Curadoria do Instituto Tomie Ohtake em São Paulo, em “A Escala Humana” No Espacio de Arte Contemporáneo em Montevideu e na TRIO Bienal com curadoria de Marcus Lontra no Rio de Janeiro. Selecionado para salões nacionais como Guarulhos em 2010, Novíssimos IBEU em 2012, Itajaí e Jundiaí em 2013 e Fortaleza em 2014. Sua obra está em importantes coleções privadas e institucionais como a do Museu de Arte Moderna de São Paulo.

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