Yube Nawa Aibu | Galeria Estação

Rita Dani, Yaka, Sebastião Paulino Mana e Menegildo Isaka fazem parte da primeira geração de pintores que floresceu da escola viva Huni Kuin. Essa escola viva deriva do encontro com a formalização do ensino através de cursos e da formação de professores a partir dos anos 80, quando começaram a usar lápis e papel. Deriva de forma viva, pois a escola, na floresta, não acontece somente na sala de aula, apesar de existirem também salas de aulas nas escolas de cada aldeia.

A escola viva está nas histórias dos antigos, de onde vêm os cantos e o conhecimento das plantas, nos rituais, na raiz da samaúma, no desenho sagrado e geométrico dos kenes e em toda a sua sabedoria. Algo bem diferente do que chamamos de educação, pois não se fixa em um programa que deverá ser assimilado pelos alunos, e sim na confiança de que em cada criança e jovem nasce a possibilidade de redescobrir o mundo.

A escola viva é simples: conhecer e respeitar o planeta, sua origem e suas forças.
Se nos anos 80 o lápis e o papel garantiram o posicionamento esclarecido para a formação professores, de cooperativas e a demarcação das terras, hoje os Huni Kuin utilizam tais instrumentos para fortalecer a transmissão do próprio conhecimento através da arte.

A pintura que eles trazem da floresta representa o invisível sem que seja abstrata. A realidade tampouco é domínio do visível. Huni Kuin significa gente verdadeira. O invisível é real, dizem os Huni Kuin.
A imaginação, palavra que define a faculdade do espírito de representar imagens, aqui é real, mesmo que invisível. É fértil, pois dela a cultura renasce.
Representar talvez nem seja a melhor definição. Revelar se aproxima, embora remeta a algo que surge em si, sem considerar a importância de quem revela.
Transformar em desenho, pintura e arte talvez se aproxime mais do gesto de entrega completa física e espiritual que Rita Dani, Yaka, Sebastião Paulino Mana e Menegildo Isaka manifestam enquanto pintam telas, murais ou cadernos. Transformar o invisível em visível com amor e beleza.

A exposição Yube Nawa Aibu – A mulher jiboia encantada começa quando a exposição Una Shubu Hiwea – Livro escola viva do rio Jordão se despede do Itaú Cultural e de São Paulo.
Agora, na Galeria Estação, mais do que uma exposição, abre-se um rio, afluente direto do rio Jordão, rio invisível mas real, que traz artistas da Amazônia acriana Huni Kuin para o Sudeste, e leva para a floresta a possibilidade de que eles vivam de sua arte.
Boas navegações para Yube Nawa Aibu!

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