YOYO – Tudo que vai, volta | Sesc Belenzinho

Enxergar a Arte como parte da vida e do cotidiano. Entender que para se aproximar dela não é necessário conhecimento ou técnicas artísticas prévias, mas uma disposição para apreender o mundo. Enxergá-la em cada gesto, cada brincadeira, cada pensamento. E, principalmente, entender que as crianças são público de arte e que as exposições devem buscar acolhê-las e aproximá-las de seu universo. São as máximas por trás de YOYO – Tudo que vai, volta, mostra de arte contemporânea voltada para o público infantil que o Sesc Belenzinho apresenta a partir do dia 5 de maio.

A exposição é uma coletiva de nove artistas contemporâneos em atividade, que criaram ou identificaram em sua produção obras que valorizam o diálogo amplo e direto com as crianças. O projeto, que tem curadoria de Ricardo Ribenboim, foi idealizado por Liana Mazer, editora da revista infantil independente YOYO, em parceria com Renata Rödel, Diretora Adjunta da Base7 Projetos Culturais.

“Para o Sesc, avançar mais além de concepções funcionalistas da arte significa abrir espaços a maneiras diversas de pensar e agir e uma disposição para correr riscos, surpreendendo-se com novos olhares e maneiras de interagir. E sabendo da importância de vivências passadas na construção de caminhos futuros, estimular outras idas e vindas neste universo”, afirma Danilo Santos de Miranda, Diretor Regional do Sesc São Paulo.

Na interlocução com os artistas, foram selecionados trabalhos e instalações que podem ser experimentadas das mais variadas formas. O movimento lança-se então como fio condutor da exposição, e a interação com o público é a forma de impulsioná-lo. Segundo Ricardo Ribenboim, “Os significados da exposição se movimentam a partir da interação. Você gira uma manivela, por exemplo, e vê a obra acontecer diante de si”.

Dudi Maia Rosa, Franklin Cassaro, Gisela Motta, Guto Lacaz, Leandro Lima, Lia Chaia, Raul Mourão, Regina Silveira e Sandra Cinto escancaram ao público o funcionamento de seus trabalhos e expõem suas inspirações, sugerindo uma discussão franca sobre o fazer artístico. São artistas contemporâneos, de diversas idades e com experiências diferentes. O que os une é a disponibilidade em participar de um desafio que é criar e pensar seus trabalhos em diálogo com um público específico, as crianças.

“Partilhamos a crença de que não existe uma única linguagem indicada para o público infantil e que a investigação de formas de contar, mostrar e de fazer é comum entre as crianças e os artistas”, afirma Ribenboim. “Além disso, acreditamos que intensificar nossa experiência do mundo e nos fazer refletir sobre ela é uma das funções da arte nos dias de hoje, que pode ser plenamente usufruída pelo público infantil”, completa.

Na exposição, Dudi Maia Rosa, por exemplo, cria uma instalação com ampliações de imagens de céus com nuvens estáticas e a partir das quais convida as crianças a registrarem, tal como ele, os frutos da imaginação em desenhos num papel. Já a dupla Gisela Motta e Leandro Lima transforma o mais fundamental acontecimento da vida em arte: sob a forma de inúmeros balões, cria um grande e múltiplo pulmão, que infla e desinfla no compasso da respiração.

A instalação de Regina Silveira é concebida como uma obra em progresso, ou seja, ela continua sendo feita mesmo depois da abertura da exposição. Em parceria com as crianças, a artista brinca com o desenho de sombras de objetos comuns. As crianças e a artista fixam essas imagens pendurando-as na parede.

Os trabalhos de Guto Lacaz e Sandra Cinto acontecem quando manivelas são acionadas. Bondinhos correm pelo espaço e um mar revolto se agita, respectivamente. Dois outros artistas, Raul Mourão e Franklin Cassaro, exploram o movimento ainda de outra forma, fazendo ver como seus trabalhos assumem aspectos diferentes ao se tornarem dinâmicos.

Ponto chave da curadoria, a interação entre aquilo que está exposto e o público foi buscada de diversas maneiras: seja pela interação direta com as obras, seja pela proposição de uma série de oficinas, que visam possibilitar aos visitantes uma livre aproximação das crianças com o fazer artístico. Nesse contexto, ganha destaque o papel do Núcleo Socioeducativo do Sesc Belenzinho.

As atividades concebidas pelo Educativo tomam como ponto de partida a reflexão sobre o lugar que ocupamos no mundo. Em YOYO – Tudo que vai, volta, as narrativas criadas na mediação contextualizam os trabalhos através de poéticas que, além de emprestar fantasia à realidade dada, alarga os limites sensíveis de cada indivíduo, imprimindo uma dimensão cultural, social e política inesperada às mesmas obras.

“Sem dúvida alguma, a parceria com o Sesc São Paulo amplia a dimensão sociocultural do projeto, que ganha reverberações várias a partir de um olhar dedicado às experiências vividas pelo público e aqui encaradas como legítimos procedimentos artísticos. Nesse sentido, é fundamental estarmos lado a lado de um dos espaços mais atuantes do Brasil, instituição que ao longo de sua história sempre teve uma forma franca e respeitosa de lidar com a diversidade de seu público, atuando na vanguarda das propostas expositivas”, afirma Ribenboim.

A mostra, que fica em cartaz até 22 de julho, contará com uma série de oficinas ministradas por parte dos artistas que integram a exposição, além de atividades realizadas pela equipe de educadores do Núcleo Socioeducativo do Sesc Belenzinho. Também será impressa uma edição especial da revista YOYO, com atividades e brincadeiras sobre arte contemporânea, além de entrevistas com os artistas, realizadas por crianças.

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