Yara Tupynambá | Errol Flynn Galeria de Arte

Uma das mais importantes e festejadas artistas brasileiras, Yara Tupynambá ganha exposição com obras de diversas fases de sua carreira. “Yara Tupynambá – Uma vida na arte – Obras de 1957 a 2019” inaugura novo endereço da Errol Flynn Galeria de Arte (rua Curitiba, 1.862, Lourdes), onde, de 11 de junho a 5 de julho, com entrada franca, o público poderá conferir 106 obras da pintora, divididas em séries que datam da década de 50 aos dias atuais. Com curadoria de Errol Flynn Júnior, a mostra propõe um “passeio” pelos principais ciclos de Yara, que, aos 87 anos, celebra mais de seis décadas de dedicação ao ofício. Durante a exposição, será lançado, ainda, catálogo-livro da mostra com imagens das obras e textos dos críticos de arte Carlos Perktold, Enock Sacramento e Olívio Tavares de Araújo.

Dividida em séries, a exposição apresenta, inicialmente, as obras em “preto e branco”. Em seguida, vêm os “desenhos de Ouro Preto”. Já a seção “Alcântara” é composta por quadros nos quais Yara começa a usar o carvão. Em outras duas séries, os destaques são a cultura popular de Minas – por meio das figuras e do tradicional artesanato em cerâmica do Vale do Jequitinhonha – a cultura erudita, representada por Marília de Dirceu, além de igrejas e oratórios, valorizando o barroco mineiro. A área de “Cidades”, por sua vez, serve de ponto de partida à fantasia.

Destaque, ainda, para “paisagens”, desenvolvida nos anos 2000. Trata-se de trabalho anterior às seções ecológica e de parques. O contato com a natureza é renovado quando Yara inicia uma série ecológica, para retratar a diversidade e a importância da flora mineira. Tais obras foram apresentadas na Casa Fiat de Cultura, em 2016.

As três últimas séries da exposição são inéditas para o público: “Parques”, com destaque para o Parque Municipal, o Parque das Mangabeiras, o Parque Jacques Cousteau, no bairro Betânia, e o Parque Ecológico, na Pampulha ; “O artista visita meu ateliê” – em que as vivências de Matisse, Gauguin, Monet e Bonnard levaram a artista a se apropriar de suas figuras, inserindo-as no ambiente de seu ateliê –; e “Circo”, com trabalhos realizados em 2019. A exposição conta, ainda, com cinco painéis, entre os quais, “Os Quatro Cavaleiros do Apocalypse”, de 1995, que é um painel atemporal e representa todo o período da vida humana. Os painéis pintados por Yara Tupynambá, conforme enfatiza a crítica, reafirmam a artista como uma das grandes muralistas brasileiras. Vários órgãos públicos e privados ostentam murais minuciosamente pensados e trabalhados, alguns tombados pelo Patrimônio Histórico, com destaque especial para “Inconfidência Mineira”, instalada no saguão da reitoria da UFMG e “Desbravamento do Rio São Francisco”, afixada na Faculdade de Educação.

A escolha de Yara Tupynambá para inauguração do novo espaço da Errol Flynn Galeria de Arte – fruto de antigo desejo dos donos em proporcionar, a amigos, colecionadores e artistas, um espaço mais amplo, com melhor qualidade –, foi, na visão de Errol Flynn Júnior, “corretíssimo, pois não há como abordarmos a arte mineira sem falarmos dessa grande lutadora, uma das maiores muralistas do Brasil. Para nós, mineiros, ela é um ícone das artes plásticas. E será questão de tempo ser mais reconhecida em nível nacional”. O curador salienta, ainda, que, na exposição, há várias séries importantes da carreira “dessa virtuosa artista, o que demonstra sua eclética e constante qualidade durante mais de 60 anos de carreira”.

Estar na exposição será, também, a oportunidade de passear pela trajetória de Yara Tupynambá, que, ainda jovem, começou a desenhar sob orientação de Alberto da Veiga Guignard, no Parque Municipal de Belo Horizonte. “Ali, aprendemos a ver a diferença das folhagens das árvores, o movimento dos galhos e a presença de pessoas em cenário bucólico. Isso foi nos anos 1950. Depois, já na escola, exercitamos os desenhos com modelo vivo e de criação, a partir da memória de nossa vivência”, conta Yara. Oswaldo Goeldi também foi importante na formação de Yara, que, durante sua passagem pelo Rio de Janeiro, deu ainda mais vigor a seu trabalho. Ela aprendeu, com o brilhantismo do mestre, nuances da técnica da gravura.

“Penso que dificilmente poderei reunir outra vez tantos trabalhos em uma única exposição. Portanto, esta é uma exposição fundamental em minha carreira”, completa a artista Yara Tupynambá.

 

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