Victor Arruda | MAM RJ

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro inaugura a exposição “ARRUDA, Victor”, que homenageia o artista Victor Arruda, um dos grandes nomes da arte contemporânea. A exposição, que tem curadoria de Adolfo Montejo Navas, percorre os quase 50 anos de trajetória do artista, com cerca de cem trabalhos produzidos desde o início dos anos 1970 até 2018.

Victor Arruda é conhecido por sua pintura rude, bruta, sem concessões, com uma feroz crítica contra a hipocrisia e o abuso de poder, e a presença, desde sempre, de questões de gênero, com cenas explícitas de sexo. Para o artista, sua arte é conceitual, em que a “pornografia” (“nas aspas”, ele ressalta) e a agressividade estão a serviço da discussão de temas internos e também sociais, como o assédio denunciado na pintura “Salário mais justo”, de 1975. Suas obras estão em coleções importantes como a de Gilberto Chateaubriand, Luiz Schymura, João Sattamini, Hélio Portocarrero e a do crítico italiano Achille Bonito Oliva (1939), que conheceu seu trabalho por intermédio do artista Antonio Dias (1944).

Adolfo Montejo Navas apontou dois grandes temas para aproximar os trabalhos de Victor Arruda na exposição: O primeiro é Palavras e Textos, que estrutura grande variedade de obras e suportes. A escrita é uma característica marcante na pintura do artista, e ora aparece como frases ou palavras soltas, ora como narrativa.  As demais pinturas estarão agrupadas por décadas: 1970, 1980, 1990, 2000 até o momento. Além de pinturas, a exposição terá uma instalação – “Homenagem às vítimas do dinheiro” (2014) – desenhos, fotografias, vídeos e cadernos de anotação do artista.

O segundo tema coloca a ênfase no lado culturalista que tem sua obra, cheia de diálogos heterodoxos com artistas de diversas épocas. Os trabalhos de Victor Arruda trazem referências à história da arte, como os suprematistas russos ou Magritte (1898-1967) – “o artista que mais admiro, que já disse tudo o que tinha que dizer” – embora nem sempre aparentes.  Quando ao terminar uma tela percebe que ela contém elementos conhecidos, de outros artistas, Victor Arruda deixa clara a homenagem no título da pintura.  Estarão na exposição várias dessas pinturas feitas “em homenagem” a outros artistas. “Penso muito nos títulos”, explica. “Quero deixar tudo explícito, facilitar a comunicação com o espectador”, diz Victor.

Nascido em Cuiabá, Mato Grosso, em 1947, Victor Arruda se mudou para o Rio aos 14 anos. Estudou museologia na UniRio, com especialização em arte contemporânea. “Eu era um artista contemporâneo antes mesmo de este termo ser usado, porque não me identificava com nada do que se fazia na época. Tudo era moderno e eu não era moderno”, conta.

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