VARILLAS DE LA ESPERANZA

Varillas de la Esperanza, nova exposição de Manuela Ribadeneira, utiliza um elemento típico da paisagem urbana da América Latina: as inacabadas ou abandonadas colunas de construção.

Casa Triângulo tem o prazer de apresentar Varillas de la Esperanza, nova exposição de Manuela Ribadeneira na galeria.

Em Varillas de la Esperanza, Ribadeneira utiliza um elemento típico da paisagem urbana da América Latina: as inacabadas ou abandonadas colunas de construção. No Equador, país de origem da artista, estas colunas de cimento e aço que sobressaem dos telhados, têm o espirituoso e poético nome de Varillas de la Esperanza (Varinhas da Esperança). Geralmente, as pessoas constroem o primeiro andar das suas casas e adicionam as colunas de construção para um desejado segundo andar, com a esperança de que algum dia terão dinheiro suficiente para construí-lo. O dinheiro raras vezes chega, e as Varinhas da Esperança permanecem em pé, truncadas e esperançadas, saindo dos telhados e convertendo-se em postes para varais ou redes de voleibol. Convertem-se lentamente em ruínas porque parecem ter perdido a sua função e não ter significado no presente ?mas retêm um potencial semântico sugestivo e instável? (Julia Hall em Ruins of Modernity).

A artista começou a trabalhar em torno desta idéia como parte da sua duradoura investigação sobre os rituais de apropriação do espaço. Plantar varinhas e colunas nos telhados é uma maneira de declarar propriedade desse pedaço de céu, é literalmente conquistar espaço. A intenção do gesto permanece, mesmo que as colunas tenham se transformado em ruínas.

Estas colunas de construção abandonadas não aparecem só nos espaços privados, mas também é comum achar em edifícios públicos construídos até a metade. No caso dos edifícios públicos, a artista nota que talvez sejam as varinhas do desamparo político. Quando Claude Lévi-Strauss visitou São Paulo nos anos 30 disse: ?aqui tudo parece em construção mas já está em ruínas?. Las Varillas de la Esperanza são construções em ruínas e ruínas em construção.

Ribadeneira fez uma série de 10 estênceis de níquel prateado (50 x 30 cm cada), com formas gráficas simplificadas das Varinhas da Esperança. Como estênceis, sugerem uma ação, a possibilidade de sair com essas imagens e marcar as coisas como Construção? Ruina? Sonho? Sonho truncado? Passado? Futuro?

A segunda peça está composta por três modelos de colunas de cimento e aço (22cm altura cada) intituladas com as ordens arquitetônicas da Grécia Antiga: Jônico, Dórico e Coríntio. Ribadeneira reproduziu (impresso 3D) um grande número de colunas, cada uma com uma pequena variação, e criou um modelo arquitetônico intitulado Lugar de espera para os segundos andares.

Finalmente, ela vai mostrar Borra y va de Nuevo (Apague e Vá de Novo), e Neither Here nor There (Nem Aqui nem Lá), faixas de espelho que refletem seus títulos na parede.

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