Vanderlei Lopes | Art Basel Hong Kong

A galeria carioca Athena Contemporânea, dos irmãos Eduardo e Filipe Masini, estará presente na quinta edição da Art Basel Hong Kong, que será realizada de 23 a 25 de março de 2017, no Centro de Convenções e Exposições de Hong Kong, na China. A galeria apresentará um projeto solo do artista Vanderlei Lopes (Paraná, 1973), com cinco obras inéditas, feitas em bronze, que relacionam natureza e cultura.

Vanderlei Lopes já realizou exposições individuais no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no MAC de Niterói. Suas obras pertencem a importantes coleções no Brasil e no exterior, como da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e de São Paulo, Museu de Arte do Rio, Coleção Lara Proyecto, em Singapura, entre outras.

O artista atua nos limites entre diversas linguagens, como desenho, fotografia e vídeo e tem se dedicado a explorar a escultura reposicionando-a em suas demandas atuais. Um sentido experimental orienta seu trabalho e nele, alguns materiais têm estatuto de conceito; os significados e associações de que são portadores, são parte fundamental do corpo da obra. São materiais associados a ideias de aparecimento ou de transformação. O bronze, por exemplo, que ultimamente tem ocorrido em seu trabalho, ainda que, sob diversos aspectos, interessa por trazer forte relação com a tradição e por seu sentido alquímico de transformação.

Os trabalhos apresentados na Art Basel refletem sobre sua própria aparição como arte, a partir de ações que flagram o trabalho no momento mesmo em que ele surge. Pretendem fixar estados transitórios e deslocar a percepção para o que está visualmente implícito, tanto entre os objetos quanto entre as ações envolvidos. Essas obras reunidas propõe uma experiência que tangenciam algo entre uma pré-ciência e sua falência, como apreensão e perda, no processo de construção da civilização.

OBRAS APRESENTADAS
“Comigo-ninguém-pode” (Dieffenbachia seguine) constitui-se por uma planta em um vaso cerâmico e sua réplica feita toda em bronze, a partir da mesma. A obra busca dar visibilidade ao que existe entre o elemento orgânico em transformação e sua réplica, fixada em bronze. Essa planta recebeu esse nome em português, devido ao seu carater venenoso que, paradoxalmente, adquiriu um sentido místico poderoso e passou a habitar a maioria das casas no Brasil como amuleto de proteção.

“O Surgimento da Matemática” materializa, em bronze polido, a trajetória de uma pedra lançada que se desloca sobre uma superfície líquida. Seu deslocamento produz ondas sobre tal superfície à medida que a toca e o trajeto é desenhado por uma progressão geométrica, produzida pela variação da distância de cada ponto. Colocada sobre uma base da cor do chão do espaço expositivo, a peça sugere o recorte de uma paisagem. Faz analogia aos primórdios da percepção, em que certos conhecimentos começam a ser sistematizados.

“Panfleto (Cisma)” são obras feitas a partir de papeis dobrados e amassados, fundidos em bronze e pintados. Tal trabalho parte de uma operação construtiva do ato de dobrar a folha a fim de construir estruturas geométricas, que fazem eco a trabalhos de artistas desde o período construtivo brasileiro (como Helio Oiticica, Lygia Clark, Willys de Castro), e que são, em seguida, amassadas, evidenciando o convívio incompatível das duas operações, entre construção e ruína, por final no bronze, perpetuadas como impasse.

Espelho é um interruptor fundido em bronze polido, afixado na parede na posição e altura de um interruptor cotidiano. Esse objeto propõe aludir a luminosidade que tal interruptor acionaria no metal dourado polido.

EEDDM (El encuentro de dos mundos) são sete folhas de árvore cortadas pelo seu centro, dispostas na parede de modo que o corte revele um retângulo branco, da própria parede, que sugere unir as folhas. O título se refere ao período colonizatório nas Américas, no qual a vinda de europeus aplainou uma cultura complexa, ligada sobretudo a natureza, dos povos originários que habitavam essa região do planeta.

 

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