Urbanizia | Centro Cultural da Justiça Federal

“Urbanizia” foi o termo criado por sete artistas visuais atuantes no cenário artístico contemporâneo carioca, a partir de leituras e debates. Focando na poética urbana dos sintomas do mundo contemporâneo, eles apresentam cerca de 40 trabalhos inéditos, ocupando as galerias do 2º andar do Centro Cultural da Justiça Federal. Sob a curadoria de Isabel Sanson Portella e Jozias Benedicto, os artistas Benjamin Rothstein, Danielle Cukierman, Flávio Santoro, Henrique Kalckmann, Luciana Gaspar, Milena Soares e Rosana Diuana (que se conheceram nas aulas de pintura na Escola de Artes Visuais do Parque Lage) mostram suas obras.

Para o enfrentamento da temática urbana, alguns deles optaram por extrapolar os limites da pintura, do suporte ou da escala, enquanto outros ousaram em outras mídias, e todos aqui mostram suas pinturas, instalações, vídeos e objetos – como o painel multifacetado que se tem ao percorrer as vitrines de um centro urbano.

“A mostra Urbanizia traz um olhar contemporâneo sobre quem vive nas cidades e é afetado, envolvido e modificado pelas questões do cotidiano e do convívio social em suas mais diversas nuances e sutilezas. Em um mundo em rápida mutação, vivemos e captamos o tempo todo flagrantes da vida onde a velocidade e a fragmentação dos fenômenos, a ‘erraticidade’, o voyerismo, a solidão urbana, o frenesi do consumo nos afeta, envolve e modifica”, diz Isabel Sanson Portella, curadora.

A ideia dos artistas é envolver o espectador nesta teia e levá-lo a viver com eles a experiência urbana através da arte:

“Desafiados a pensar em um projeto comum para esta exposição, os artistas levaram seu foco para a urbanidade contemporânea, chegando a criar neologismos como ‘Urbanizia’ – que ficou como o título da mostra –  e ‘urbanêur’, que seriam os homens e mulheres imersos na vida das metrópoles. A partir deste núcleo comum os artistas expressaram, com suas poéticas, interpretações do tema urbano, visões particulares mas ao mesmo tempo partes do plano coletivo da exposição, falando desta realidade que nos marca profundamente, quando as promessas do iluminismo e do moderno se revelaram armadilhas”, afirma Jozias Benedicto, que também assina a curadoria da mostra.

As propostas dos artistas na mostra

Em seu trabalho atual, Benjamin Rothstein procura, principalmente, falar do tempo, do nosso tempo e de um outro tempo, com novas roupagens, através de uma conjugação de imagens históricas ou não, mas colocadas para incomodar o observador. Em suas últimas criações, mais ligadas às cidades, o artista mostra um pouco das relações humanas sob a égide urbana atual e suas pressões.

Danielle Cukierman estuda os excessos do mundo, como tecnologia, consumo, lixo… Fósseis de um tempo de urgência. Seus trabalhos são compostos de diferentes planos e suportes, que originalmente envolvem, embalam ou carregam coisas, mas que agora estão esvaziados e obsoletos. Usa também materiais populares e de uso cotidiano. Danielle apresenta o objeto original transformado, dando a ele nova oportunidade de existir e/ou novo significado.

Flávio Santoro pretende demonstrar, através dessa exposição, as impressões emocionais e racionais, conscientes ou não, da condição de Ser Urbano. Utilizando colagens e pintura, o artista busca imprimir a urgência, a efemeridade, e por que não, a beleza da capacidade de mutação e adaptação do homem em seu desafio atual no mundo.

Nos trabalhos de Henrique Kalckmann a figura serve de suporte para uma proposta plástica, reflexo de sensações. A ideia para a produção dos trabalhos se inicia, preferencialmente, com fotos captadas nas ruas, em qualquer cidade que ele esteja. Na seleção da foto, o artista busca a escolha do que pode ser a síntese de uma cena que está acontecendo. A dimensão das telas é parte importante da composição e construção de um significado.

Luciana Gaspar tem obras que remetem a construção, estrutura e urbanidade – um universo onde as formas se relacionam. Trabalhando com uma geometria inquieta, construindo uma arquitetura aleatória de fragmentos, traz uma estruturação num clima essencialmente urbano, através de um jogo de encaixes numa abstração de formas partidas. São espaços labirínticos que querem envolver, mas que também permitem o escape. Nessa trama de formas, nesse labirinto de redes neurais, a artista explora relações da parte e do todo e de continuidade e descontinuidade.

Milena Soares parte de fotos da internet e fotos da performance “Puxar Pele”, da artista Juliana Ribeiro Wähner, inserindo fragmentos dessas imagens no contexto da sua pesquisa sobre relacionamentos na era das redes sociais, levantando algumas questões da contemporaneidade. A artista indica que no meio de tanta complexidade, os prazeres mais simples e primitivos acabam por se revelar uma forma de epifania. Suas pinturas trazem pouco espaço para o corpo humano (ou o que resta dele) se expressar, insinuando a existência de várias neuroses.

Rosana Diuana parte de um processo investigativo sobre o universo intimo de cada individuo. A artista retrata o mundo do “ser” sexual ao invés do “dever ser”, separando-o do que cotidiano impõe por meio das limitações morais, religiosas e éticas. Através da pintura e de outros meios, a artista apresenta algumas experiências sensoriais e sexuais vividas de forma oculta por parte significativa da sociedade. Da deglutição do fruto proibido, da cegueira que se descortinou para um mundo repleto de estímulos, a essência da libido, a busca pelo prazer sexual fora do que é moralmente aceito é o foco de seu trabalho.

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