UM | PRISCILA MAINIERI

UM apresenta uma seleção de trabalhos das artistas Ana de Niemeyer, Ana Roberta Lima, Carolina Mossin, Erika Massae, Lilian Villanova, Marcella Madeira, Renata Staliano Broetto e Yasmin Guimarães.

UM apresenta uma seleção de trabalhos das artistas Ana de Niemeyer, Ana Roberta Lima, Carolina Mossin, Erika Massae, Lilian Villanova, Marcella Madeira, Renata Staliano Broetto e Yasmin Guimarães. Essa seleção é o resultado de pesquisas e práticas iniciadas conjuntamente em 2014 e que se estendem até esta exposição.

A princípio, o foco desses encontros era pensar a pintura como linguagem aliada ao acompanhamento do trabalho dessas artistas. Fizeram parte desse primeiro momento discussões sobre o surgimento da fotografia, a invenção de uma nova espacialidade com a pintura abstrata e alguns outros paradigmas lançados à produção pictórica ao longo do século XX por artistas como Marcel Duchamp, Malevich, Rodchenko e Helio Oiticica.

A necessidade de uma discussão prática se fez e o acompanhamento dos trabalhos passou a dividir espaço com experiências práticas – cor, desenho, observação, materiais, ferramentas – além de visitas a ateliês de pintores como Marina Rheingantz e Rodrigo Andrade.

No entanto, não é um grupo com ideais estéticos e conceituais em comum. Antes disso, compartilham a convicção de que a pintura representa um lugar de possibilidade e risco, um ato pensante que deseja e reivindica em si a criação de espaço e tempo.

No meu entender, UM sela o primeiro início dessas jovens artistas de 20,30,40,50 e 60 anos que outrora já foram arquitetas, advogadas, administradoras ou antropólogas e agora exercem a busca pela vocação, pela potência e autonomia de uma linguagem própria na arte. Chegam formulando mais perguntas do que oferecendo respostas, experimentando, acreditando e titubeando em suas possibilidades individuais. Isso não é privilégio de começo. É certo que o avesso da força também é força, e uma ação resistente e sem sentido imediato é necessária para forjar o espírito-obra. É preciso que haja uma necessidade, pois do contrário não há nada e essa exposição nasce da necessidade dessas artistas decidirem, juntas, vir a público.

O espaço que se pretende aqui é o da invenção e se a pintura não é uma mata virgem, tão pouco é um terreno baldio. Não se trata de cultuar uma possível originalidade, invocar ou recusar uma história, mas sim de entender que a pintura, assim como a vida, está aberta para a criação de outros conceitos e visualidades. As concepções e critérios para a criação não fazem parte de um postulado. É preciso fabricá-los, caso contrário estaremos apenas aplicando fórmulas pateticamente. Entender que a pintura é possível e precisa ser inventada exige muito trabalho. É preciso derrubar o caráter mecânico do sentido, deslocar, perturbar os sentidos mais óbvios e criar condições para a existência de outros.

Acompanhando tudo isso de perto, vejo que essa mostra reúne trechos, riscos, partes do espaço-tempo de cada uma dessas artistas que agora estão juntas nessa sala para conviverem, celebrarem e injetarem sentido na realidade.
Bruno Dunley | 19/07/2016

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