Taro – Montanha, Céu e Mar | FACE Galeria (Inauguração)

FACE Gabinete de Arte surge com a intenção de resgatar o olhar de Pietro M.Bardi sobre a produção artística brasileira. Ao revisitar artistas que por ele foram revelados ou incentivados, o novo espaço pretende compartilhar a experiência de Eugênia Gorini Esmeraldo durante décadas ao lado do fundador do MASP, reativando, com mostras e debates, a presença desses nomes na cena contemporânea.

Baseado nesse princípio, Taro Kaneko (1953, Galia, São Paulo) foi o artista escolhido para inaugurar a FACE Gabinete de Arte. As cerca de 30 pinturas reunidas em Taro – Montanha, Céu e Mar demonstram a sua particular narrativa acerca da natureza. São telas luminosas, com pinceladas e cores vibrantes que, ao aludirem ao ilusório ou abstrato, constroem oníricas composições. “A paisagem e a natureza, sobretudo a água, estão presentes ou referenciadas em sua obra a partir de lugares conhecidos, mas idealizados por Taro, quase como paraísos”, pondera a curadora Gorini.

Formado em arquitetura pela FAU-USP (1978), Taro, além do crivo do Professor Bardi, consolidado pela realização de sua individual no MASP em 1982, atraiu também olhar de Livio Abramo, que apresentou uma mostra do artista em Assunção, quando o gravurista, radicado no Paraguai, dirigia a Casa do Brasil (1980). No intervalo dessas duas mostras, em 1981, o pintor expôs em Washington, na galeria de Latin American Contemporary Art, na sede da OEA, Organização dos Estados Americanos, a convite do diretor José Gomes Sicre, cubano, então um dos mais influentes especialistas em arte latino-americana nos Estados Unidos.

Segundo Eugênia Gorini, apesar de pertencer a uma geração diferente, Taro se insere no conjunto de artistas nascidos no Japão ou descendentes de japoneses que a partir de 1950 surgem com força no cenário artístico brasileiro, uma vez que participou de exposições coletivas com esses artistas e os conheceu. Em 2006 a sua produção foi exibida no espaço de Shoko Suzuki, renomada ceramista que frequentava o grupo, como Tomie Ohtake e Manabu Mabe.

Sobre Taro, Bardi escreveu por ocasião da exposição do artista em Brasília (1986) “… as artes plásticas estão atravessando um período, diria, polêmico, a grosso modo verificado no contraste entre tradição figurativa realista e reação geométrico-abstrata. […] me parece que nas paisagens de Taro, até o sofisticado, curioso por procurar ideias, atos, sutilezas, se delicia ressaltando gestos pictóricos, nuances, motivos convincentes: é o que vale no processo de julgar. Para Taro o julgar precisa de um certo saber, diria experiência. Às vezes ele passa da paisagem, sempre limpa […] a rabiscos cromáticos abstratos: se trata das indecisões próprias deste tempo ainda incerto como expressão”.

O artista, que mora e trabalha no bairro da Vila Mariana, em São Paulo, além de exposições no Brasil, teve a sua abra difundida no Japão. Em 1992 e 2009, realizou mostra em Niigata, a cidade de seus pais, onde o palácio do governo e a sede da prefeitura local adquiriram sua obra para seus respectivos acervos, assim como o Hyogo Prefectural Museum of Art, na província de Kobe. Em 1996 a produção de Taro esteve em Tóquio e, em 1997, em Shizuoka.

A FACE Gabinete de Arte é uma iniciativa de Eugênia Gorini Esmeraldo, museóloga e historiadora de arte e do engenheiro Francisco de Assis Esmeraldo, ambos colecionares e próximos aos Bardi, seja no trabalho direto, como é o caso de Eugênia, seja nas sistemáticas conversas sobre arte que Assis mantinha com o Professor.

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