Talitha Rossi | Casa de Cultura Laura Alvim

No dia 25 de setembro, a Casa de Cultura Laura Alvim, um espaço da Secretaria de Estado de Cultura/FUNARJ, inaugura “Só de amor, só do amor”, a maior exposição da trajetória da artista plástica Talitha Rossi, que ocupará todo o espaço expositivo do centro cultural, em uma área total de 120m2. Com curadoria de Isabel Sanson Portella, serão apresentados cerca de 40 trabalhos recentes e inéditos, dentre instalações, esculturas e fotografias, que falam sobre o amor, tema que sempre esteve presente nas obras da artista, mas que ganha mais intensidade nesta exposição.

“Talitha Rossi, numa coletiva de si mesma, apresenta obras que, acima de tudo, celebram o amor. Amor a flor da pele, que transborda, que rasga o corpo expondo órgãos e fluidos numa corrente continua. A intensidade é a da vida, mas a delicadeza é a marca presente em cada detalhe”, afirma a curadora Isabel Sanson Portella.

Para criar as obras, Talitha Rossi usa materiais diversos, como brinquedos, ossos de animais, bordados, retalhos, tecidos, fios exóticos, cristais brutos, peles, escamas, conchas, entre outros. Trabalha com texturas, brilhos, cores, adorna as esculturas, além de emprestar o próprio corpo para foto-performances. “São sentimentos produzidos em série que se transformaram em objetos, que comunicam sobre mim e tantas mulheres”, ressalta a artista.

A mostra falará de todo o tipo de amor, criando um circuito que passa pelas diversas fases do sentimento. Na primeira sala, estará o amor carnal, com obras em vermelho, que tratam do fetiche, do sexo, da traição, do desafeto e também da autossabotagem. “Se o vermelho do sangue escorre é para lavar, como num rito de passagem, magoas e desafetos, e assim despertar o amor. Cada objeto escolhido trás uma memória, muitas vezes de solidão, mas sempre com a coragem da busca”, afirma a curadora. Nesta sala, predomina o vermelho forte, vibrante, presente em tecidos com texturas, brilhos e pedras, como na obra “Tua omissão mentia, meu amor sentia” (2018), feita com bordado de pedraria sobre retalhos vermelhos. Ali também estarão grandes emaranhados de novelos de lã, que compõem instalações, esculturas e foto-performances. Talitha Rossi usa os fios do novelo de lã como uma metáfora dos relacionamentos atuais, muitas vezes “embolados ou soltos por um fio”.

A segunda sala será minimalista, com poucas esculturas, em tons de branco e pérola, em harmonia com o chão de mármore da Casa de Cultura Laura Alvim. “As obras deste espaço falam sobre a cura, sobre o silêncio, a busca pelo amor-próprio, a paz e a delicadeza que o autoconhecimento e a maturidade trazem com o tempo”, conta a artista. As esculturas desta sala são feitas com tecidos que remetem ao conforto, ao aconchego, como o veludo. Há também plumas e penas sintéticas, que tem a intenção de dar leveza, tratando da questão dos ciclos, de mudança de plumagem, do renascer renovado.

Na terceira e última sala, as obras em tons de rosa claro tratam do homem pós-moderno, “que quer ser leve, mas não se livra dos tantos pesos da existência”. As obras “Ovulação”, “Fecundação” e “Está tudo dentro”, produzidas este ano, trazem pedras preciosas misturadas a pérolas e bordados em tons rosados, que refletem sobre a feminilidade e a continuação da raça humana. Nesta mesma sala, estará a série “Extinção” (2017), que traz ossos bordados de animais mortos, questionando a exploração animal e a extinção da vida na Terra. “Talitha expõe o mais íntimo do ser. Vai fundo, até os ossos, espreme as entranhas, troca de pele e empresta o próprio corpo para falar de amor, só do amor”, ressalta a curadora.

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