Solon Ribeiro | Sem título Galeria

Não há vida sem espectador, a vida é uma grande encenação coletiva, é o que nos apresenta o artista Solon Ribeiro na exposição O olhar que espreita por meus olhos. O seu fascínio por esse espetáculo do comum, do familiar, surge como discurso para pensar o mistério da imagem e as questões da fotografia. Solon atua na investigação de cruzamentos entre a fotografia, o cinema, a cenografia, a instalação e a performance. Através da recontextualização de imagens e fotogramas cinematográficos oriundos de montagens narrativas, o artista problematiza o estatuto do arquivo a fim de desmontar sua relação íntima com o passado. O intuito é “liberar” a imagem a novas formas e significações, explorando seus aspectos mágicos e metafísicos.

Na nova série que reunirá na exposição, entre público e privado, entre o olhar que deseja e o que é desejado, o artista toma um lugar de ambivalência onde ora é o personagem projetado no trabalho, ora é espectador. Assim, vai compondo o seu roteiro fotográfico. Solon expõe esse espetáculo da visão que difere da pintura, que é construída. A fotografia capta o momento, estanca o tempo e assim carrega o fascínio. Quem olha, olha de algum lugar e esta áurea das imagens se transforma em desejo de ser visto, de ver e de participar da engrenagem que age como uma máquina de formar os olhares para a ilusão.

Solon Ribeiro usa a fotografia como testemunho material do glamour de imagens originais, para apresentar o esplendor do que antes poderia ser insignificante: o olhar do outro sobre a imagem. Constrói afetos por meio da sobreposição das imagens, originalmente desconectadas, ao transformar a potência caótica do entrelaçamento em documentos de vida. São como capítulos de um filme que desvenda o íntimo em seu contexto particular e público, quase um documentário performativo dirigido à subjetividade social e aos vínculos entre a fotografia, o fotografo e o fotografado.

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