Selva | Galeria Fayga Ostrower

A mostra, com obras marcadamente experimentais, foi uma das selecionadas do Prêmio Funarte Conexão Circulação Artes Visuais – Atos Visuais Funarte Brasília | Acre, que visa promover o intercâmbio de exposições por diversos estados para estimular a multiplicidade e a diversidade de linguagens e tendências da arte contemporânea. Além da apresentação da exposição em Brasília, Selva será apresentada, também, na galeria do SESC Rio Branco, no Acre.

A reunião de Analu, Carla, João e Rochelle procura criar diálogos entre obras e conceitos que se relacionem entre si e com o espaço expositivo. Procura também pensar a ideia de selva como um lugar de alta biodiversidade, confrontando os conceitos de biodiversidade à uma possível ‘urbediversidade’. A produção mais recente dos artistas de Selva, tem se caracterizado pelo caráter investigativo, reflexivo e experimental em constante diálogo com novas tecnologias e propostas teóricas.

Analu Cunha irá apresentar a videoinstalação “Silva, Serpente” e o vídeo digital “Guariba, Guarida”, em que ambos refletem a ideia de selva como intrínseca e complementar aos conceitos de civilização e universalidade. Aqui, Silva, o sobrenome mais presente nas famílias brasileiras, segue o entendimento de ‘selvagem’, ainda que recalcado, percorre nossos corpos e âmagos sempre que é falado, escrito e assinado.

Carla Guagliardi traz a instalação “O Lugar do Ar”, na qual vergalhões de ferro pendem do teto através de bandas elásticas. Série iniciada pela artista em 1993 que se desenvolve a partir dos conceitos de interdependência, equilíbrio precário e vulnerabilidade, conceitos que norteiam o trabalho da artista. Carla também apresenta “Partitura IV, (vertical)”, nesta peças de madeira articuladas e bolas de espuma mantém um equilíbrio precário e vulnerável através da interdependência de suas partes. Em parceira com João Modé, a obra “Sete Flechas & Pena Branca” consiste numa instalação centrada no áudio de uma conversa entre os dois artistas feita com apitos de madeira. O ambiente receberá uma luz verde fluorescente pendendo de luminárias que se movimentam quase imperceptivelmente.

João Modé vai expor “Floresta com Anni Albers e Willys de Castro”, da série “Paninhos”, que são trabalhos feitos em tecido de uso cotidiano da casa do artista (panos de cozinha, lençóis, lenços) costurados e bordados. Esta série de trabalhos começou no final de 2013 é uma homenagem à tradição brasileira de arte construtiva. Outra obra que o artista exibe é a instalação “Sem título”, que apresenta um agrupamento de objetos com lâminas de vidro e lâmpadas que criam um espaço de abrigo e de diálogo entre estes objetos.

“Margens”, de Rochelle Costi, apresenta uma série de fotografias que retratam a vida dos cidadãos ribeirinhos, também chamados de beiradeiros, população que vive na beira dos rios, às margens da floresta e subsiste da pesca, do extrativismo, do cultivo de pequenas lavouras ou da chamada marretagem (venda de produtos a bordo de embarcações). Os ribeirinhos são, na sua maioria, descendentes de sertanejos outrora levados alí para trabalhar na extração da borracha ou no garimpo e que, uma vez esgotados esses ciclos, foram abandonados à própria sorte por seus patrões. Miscigenados às mulheres indígenas, são íntimos da selva e manejam de seus benefícios com habilidade. Circulam com fluidez pelos rios e igarapés, trocam sua morada de lugar e não se consideram donos da terra que habitam, mas pertencentes a ela. Em “Margens” serão mostradas longas superfícies fluidas com imagens fotográficas impressas em material maleável, trazendo ao espaço expositivo a amplitude desse lugar sem endereço.

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