Sandro Akel

Um novo ponto de vista a respeito das fronteiras individuais da cidade de São Paulo é tema da exposição “Telha e Tijolo Sobre Carne e Concreto”, de Sandro Akel, na Galeria Nicoli. Em cartaz entre os dias 23 de março e 15 de abril, a mostra apresenta a nova série de trabalho do artista, que retoma o fator público do território a partir de uma nova perspectiva, em que cada espaço privado é um mundo individual onde as pessoas se fecham do mundo público, porém o território público continua aberto e todos podem acessá-los.

As obras apresentadas são esculturas compostas por desenhos sobre registros fotográficos em plantas de quadras dos bairros paulistanos Barra Funda, Santa Cecília e Casa Verde. A poética do espaço urbano, a individualidade – representada pela propriedade privada – e o distanciamento de cada ser humano imerso na grandeza da cidade, são o fio condutor de todo o trabalho.

O território nasce público e sofre apropriação humana, que traça fronteiras com muros e artifícios de defesa, constituindo assim sua propriedade privada. Sob a intenção de proteção de sua fragilidade, esse ser ergue estruturas isolando-se de forças imprevisíveis, da natureza e do mundo exterior. Essas estruturas, micro-fronteiras individuais de geometrias orgânicas, formam a cidade, que observada de um ponto de vista zenital, demonstra a aglomeração destes pequenos
mundos particulares.

Sandro utiliza a técnica de acumulação e sobreposição de camadas usando telhas, tijolos, pontas de grades e telhados ondulados, formando uma escultura-mãe, que recebe aplicações de desenhos e outros elementos.

“A cidade pode ser vista como a soma dos espaços privados, que se acumulam lado a lado criando os condomínios, os quarteirões e os bairros em que habitamos. Durante o processo de expansão da cidade, o ser humano se apropria progressivamente do solo público e o delimita segundo seu desejo, cobrindo a terra com pisos de concreto, traçando linhas perimetrais, identificando assim o espaço privado, cercado, separado do espaço dos outros. Em seu terreno particular, em seu
retiro, erige paredes, vigas, janelas e portas, e fecha sua estrutura com um tampo de telhas e tijolos, protegendo sua carne dos estranhos e das forças imprevisíveis da natureza, dos perigos do mundo de fora” explica o curador Giovanni Pirelli.

Compartilhar: