Sanagê | Museu Nacional da Repúlica

O Museu Nacional da República inaugura a mostra Pele e Osso, do artista visual Sanagê, que convida o público a uma imersão estética e sensorial na questão racial e suas consequências na sociedade contemporânea brasileira. Com curadoria de Carlos Ferreira, a mostra reúne 13 obras, resultado de mais de dois anos de pesquisas de materiais e de texturas. A exposição fica em cartaz na Sala 2, Piso Térreo, até o dia 9 de setembro, com visitação de terça a domingo, das 9h às 18h. O Museu Nacional da República fica na Esplanada dos Ministérios, Brasília – DF. A entrada é franca e livre para todos os públicos.

Inicialmente, a linguagem é direta, pois cada uma das 12 telas e o objeto escultórico se referem a alguns dos país africanos de onde saíram e por onde passaram homens, mulheres e crianças capturados e vendidos como escravos para trabalhar em fazendas e minas no Brasil.  África do Sul, Angola, Benim, Burundi, Camarões, Chade, Congo, Costa do Marfim, Guiné, Moçambique, Senegal e Uganda são o ponto de partida da pesquisa que desencadeia uma “fantasia protegida”, como afirma o curador. Pele e Osso remete ainda à miséria e às condições subumanas a que foram submetidos os escravos trazidos para o Brasil.

Ao final de 2015, Sanagê começa a pesquisar com a espuma expandida, material muito utilizado na construção civil para assentar portais e batentes. Usado de forma bruta, cria volumes e texturas. “Num primeiro momento, há o encantamento com a matéria e suas possibilidades. Este é um dado fundamental para a construção da obra de Sanagê, pois é sobre a espuma expandida que se projeta seu exercício de produção contemporânea em arte. Num segundo momento, ele é um descendente da diáspora africana e um artista visual”, ressalta o curador. Ao observar como se desenvolvia enquanto ainda se moldava ao ambiente, Sanagê assemelhou o material à textura e cor de peles, ossos, fissuras e ligamentos. Foi a partir dessa experimentação que o artista auxiliado pelo acompanhamento crítico do curador Carlos Ferreira se aproximou de um tema que lhe é muito familiar: A diáspora africana e suas consequências.

Se por um lado, o material se mostrou muito interessante para pensar estruturas invisíveis de um ponto de vista externo, por outro lado, nunca foi intenção de Sanagê fazer uma apropriação expressionista e explícita da condição básica da diáspora. Os mapas são regiões de circunscrições de uma experiência, uma projeção subjetiva de um sujeito que reconhece seu lugar ou não o reconhece como tal e pensar a questão geográfica como uma condição imaginária, em direção a uma projeção fantasiosa. Nesse lugar da experimentação, ele alcança a conjunção favorável de um trabalho com pé na pintura e um desdobramento imediato em relevo e escultura. As estruturas de espuma são rasgadas, serradas, quebradas e coladas entre elas e sobre a tela.  “O que existe por trás dessas ações é um processo terrível de violência”, afirma o curador.

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