Rodrigo Torres | SIM Galeria

A SIM Galeria apresenta ‘Mr Fusion’, individual de Rodrigo Torres. O nome da exposição é inspirado no artefato do filme ‘De Volta para o Futuro’ (Back to the Future), que converte lixo em energia para o Capacitor de Fluxo e os Circuitos do Tempo. O artista expõe 14 obras, de conceito análogo ao gadget cinematográfico, e traça um paralelo entre globalização, passado e futuro por meio de obras de arte em cerâmica.

As peças indicam a renovação das formas de trabalhar a escultura, que ganhou novos rumos a partir da década de 1960 no Brasil pelas mãos de personalidades como Tunga, com sua transcendência onírica, e Helio Oiticica, criador dos interativos ‘Bólides’. Apoiado nessa herança, Rodrigo utiliza técnica e objeto milenares – a cerâmica e o vaso – para conceber um trabalho contemporâneo, focado na materialização de um pensamento poético sobre a sociedade atual.

O artista se apropria da cerâmica, inclusive, para gerar a seguinte ilusão: um material pode ser transformado, figurativamente, em outro material. Rodrigo reproduz fielmente – com a base de argila tingida – o papelão, o isopor e a fita adesiva, e recria plástico bolha com vidro. No entanto, tais elementos, que têm como finalidade embalar e proteger objetos, assumem a função de invólucro do vaso, peça com caráter museológico e status de obra de arte.

Ancorado nessas representações físicas, Torres faz uma metáfora entre o vaso de cerâmica, item milenar que circula no mercado da arte no mundo todo – transportado em portos e aeroportos -, com a globalização e o fluxo cultural nos continentes. O artista ainda vai além: coloca o objeto histórico no futuro, ‘embalado’ pelo papelão, isopor, fita adesiva e plástico bolha já ‘desgastados’. O produto final é o vaso (representação do passado) após o transporte, quase desembalado (representação do futuro).

Para ilustrar a proposta, Rafael explica: “por exemplo, um vaso é desenhado em Portugal, produzido na China, embalado, transportado e desembalado. As obras falam sobre essa circulação.”

“Produzidas e finalizadas em seu estúdio na Fábrica Bhering, no Rio de Janeiro, lugar onde doces eram industrializados, longe de seus ancestrais chineses e gregos, demonstram não tratar apenas de se quebrar a redoma que instaura a obra em uma temporalidade especial que se destaca da cotidiana, mas de eternizar o momento em que esses dois tempos se encontram, quando desembalamos ou embalamos algo, quando encontramos algo que vem, através de uma lição de Joseph Beuys, reforçar potencialidades metafísicas da matéria”, analisa o crítico de arte Rafael Maia.

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