Rodrigo Sassi | CCBB SP

O Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo realiza a mostra Esquinas que me atravessam, com cerca de 20 obras inéditas de Rodrigo Sassi, produzidas entre 2016 e 2018. O conjunto reunido no subsolo do prédio, antigo cofre da então instituição financeira, reafirma referências plásticas e conceituais da obra do artista formuladas nos territórios da cidade e da arquitetura. A partir de elementos usados e descartados da construção civil, Sassi cria seu particular vocabulário formal e poético. “Eu me aproprio de elementos usados na construção da cidade e os resignifico, construindo figuras do meu imaginário, dando uma espécie de sobrevida a esse material que já vem cheio de significados e marcas”, explica.

Esquinas que me atravessam, com curadoria de Mario Gioia, abriga uma grande instalação central (Corpo Acomodado, 2018), em madeira e concreto, construída a partir dos moldes das fôrmas de concreto armado. No percurso circular proposto pelo próprio espaço expositivo estão as esculturas de parede em menores dimensões, produzidas em madeira, concreto e metal (séries Walk the line e Cestas, e as obras Qualquer dia da semana é primavera, Ser reativo e Spyro Gyro); além de uma série de cinco xilogravuras sobre papel, feita a partir de matrizes igualmente originárias dos vestígios de edificações urbanas.

“O sentido do público numa direção circular reforça o caráter fenomenológico proposto por Sassi ao dispor trabalhos de diferentes linguagens por entre o espaço. Terminada uma visita, o (ex) observador conseguirá perceber alguns elementos fulcrais da obra: a relação com o espaço, os diálogos com a arquitetura de eixos confinados de grandes cidades, a linha-grafia anteriormente pensada como projeto (em desenho) e concretamente transformada em outro produto, numa zona cinzenta e opaca entre meios (o tridimensional situado em algo de difícil determinação que perpassa a instalação, o objeto e a escultura)”, explica o curador.

Segundo Gioia, Esquinas que me atravessam sedimenta outras pesquisas de Sassi, após períodos de residência artística na França e nos EUA. “Trabalhos que tivessem tanto a luz quanto a sombra como elementos compositivos refletem uma nova preocupação nas obras pensadas para a exposição”, conta o artista. “A série de esculturas de parede Walk the line surge das caminhadas de Sassi no interior do Estado de Nova York, margeando as linhas férreas e, de lá, extraindo a matéria-prima do que se tornaria a série de pequenas peças”, completa o curador. Já na série Cestas, o artista parece trabalhar a dureza do metal como um artesanato, assim como a grande escultura de parede Qualquer dia da semana é primavera, em metal e madeira, apresentada ainda com características experimentais que tateiam um território ainda novo para o artista.

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