Recorte Modernista | Ricardo Camargo Galeria

A exposição coletiva apresenta ao público um recorte amplo do modernismo brasileiro: são 40 obras de um período que teve início com a famosa mostra de Anita Malfatti, em 1917, e que seguiu até o começo do abstracionismo com Antônio Bandeira, nos anos 1950. Di Cavalcanti, Tarsila, Portinari, Volpi, Antonio Gomide e Lasar Segall são alguns dos artistas que preenchem o espaço entre esses dois extremos que abraçam a arte moderna brasileira.
Entre os destaques reunidos na Ricardo Camargo Galeria estão desenhos primorosos de Di Cavalcanti. Em Carnaval (c.1928/29) e Três figuras com tambores (1935) e Bordel (c. 1938), o artista cria um retrato amoroso, colorido e brilhante do país, distinguindo-se dos outros modernistas por seu calor e sensualidade. Clima semelhante encontra-se em Circo (1929), de Cícero Dias, e em Parque de diversões (1946), guache e nanquim de Djanira da Mota e Silva, de seu período em Nova York.
Portinari se soma ao grupo com o guache O espantalho (1944) – tema que é retomado e atualizado pelo artista dois anos depois, em Espantalho (1946), em Paris, com maior influência, inclusive, das vanguardas da época. Celebração cubista (1922), de Antonio Gomide, deixa clara a formação e longa vivência europeias do pintor, que conheceu Picasso e começou sob a influência do cubismo.
Entre as raridades que compõem a mostra, está Paisagem antropofágica com bicho (c. 1929), grafite sobre papel de Tarsila do Amaral. Outra exceção à regra da exposição é uma obra de Diego Rivera, seu contemporâneo mexicano.  Camponesa (1940), uma quase pintura, traz uma figura vergada caminhando entre troncos e galhos de árvores desfolhadas que parecem braços e mãos suplicando aos céus.
Antônio Bandeira encerra a exposição, sendo o único representante do abstracionismo. Entre as pinturas apresentadas, estão Montparnasse (1956) e Saint-Germain (1956).
Enquanto o papel como suporte ganha cada vez mais relevância nos grandes museus e nas mais importantes coleções do mundo, no Brasil o material é desprestigiado, seja por uma suposta fragilidade ou mesmo pela concepção de que desenhos são obras menos nobres. “Um bom papel é mais importante, vale mais a pena que uma tela mediana. Enriquece-nos, em vez de apenas enfeitar uma parede”, pontua o galerista Ricardo Camargo, que assina a curadoria das duas exposições.
Segundo o curador, museus especializados, como o Albertina, em Viena, e o próprio Museu do Vaticano, têm coleções monumentais de papéis feitos há séculos e que resistem perfeitamente ao tempo.
Victor Brecheret marca uma das exceções à regra das mostras com a escultura Dama Paulista (1934), representação de Olívia Guedes Penteado (1872-1934), incentivadora e mecenas de várias personalidades modernistas e uma das organizadoras da Semana de 22. “Além de, por sua qualidade, constituir uma obra para museus, aqui ela está absolutamente oportuna e justificada”, afirma o curador.

Compartilhar: