Raul Frare | Soma Galeria

Em sua primeira exposição, com o nome “Parca Hegemonia”, Raul Frare apresenta fotografias que retratam três países que despertam o imaginário do ocidente:  Coréia do Norte, Turcomenistão e Eritréia. Tiradas entre 2007 e 2015, as fotografias apresentam imagens de países que passam por regimes totalitários e que geralmente são mais conhecidos pelas narrativas que os ocidentais fazem deles do que por seus próprios discursos. “As ditaduras asiáticas e africanas têm fascinado o ocidente, entre a condenação de seus abusos de poder e o encantamento pelo seu exotismo”, comenta a curadora Pollyana Quintella.

“Parca Hegemonia” procura não somente mostrar imagens que refletem a dureza do controle do estado, mas também o lado descontraído de seus habitantes. “Nas fotografias da Coréia do Norte, por exemplo, vemos não só retratos de disciplina e vigilância, mas tentativas de leveza e diversão, como em As crianças de vermelho e o Parque de diversões”, exemplifica a curadora, fazendo referência aos títulos de duas fotos da exposição.

O olhar de Raul Frare buscou também a arte presente nos espaços públicos destes países, como nas gigantescas estátuas de bronze em praças da Coréia do Norte, nas escalas monumentais de projetos arquitetônicos do países asiáticos retratados, na enorme quantidade de materiais nobres utilizados (as arquiteturas do Turcomenistão ostentam toneladas de mármore e ouro) e até na art decó presente em fachadas desgastadas e em aspecto de ruínas da Eritréia, que se contrapõem a estilos como a vanguarda futurista, trazido pela Itália, que colonizou o país africano.

“Parca Hegemonia” convida o público a refletir sobre suas imagens. “Entre a distopia, o abuso de poder e o exotismo, experimentamos, com essa primeira exposição de Raul Frare, um olhar que tenta se aproximar da alteridade. Embora saiba que sua narrativa estará sempre fadada ao olhar estrangeiro, Raul constrói um cenário que também nos oferece beleza e diferença, produzindo uma leitura mais complexa do que as notícias fazem crer. É diante disso que nos caberá refletir não sobre coreanos, turcomenos ou eritréios, mas especialmente sobre a relação que estabelecemos com eles e com os problemas que dizem respeito a todos nós”, finaliza Polliana Quintella.

Compartilhar: