Raúl Díaz Reyes | Galeria Raquel Arnaud

Depois de participar de duas exposições coletivas na Raquel Arnaud, em 2016 e 2017, Raúl Díaz Reyes retorna à galeria para sua primeira individual. Em Vocabulário para fixar vertigens o artista espanhol apresenta objetos bidimensionais produzidos em acrílico colorido – azuis, pretos e vermelhos – que nascem a partir da junção de formas puras geométricas – triângulos, círculos e quadrados – em um procedimento que dá origem a novas configurações. O conjunto lembra uma espécie de glossário de ícones e logos que remete ao universo urbano e publicitário.

Os pequenos objetos são acompanhados daquilo que parecem ser seus moldes, também produzidos em chapas de acrílico emoldurados e sustentados por estruturas de ferro. Contudo, os diminutos acrílicos não se encaixam em suas supostas matrizes, rompendo uma hipotética ordem sugerida pelo conjunto. São todos cortados à laser, o que denota certo aspecto industrial, com acabamento primoroso e delicado.

Segundo Izabella Lenzi, que assina o texto expositivo, a aparência que nos leva a crer na ausência do trabalho manual não impede o diálogo entre a produção do artista espanhol com “a experimentação das vanguardas históricas, com a abstração geométrica, com o construtivismo, com o concretismo e o neoconcretismo”. Para Lenzi, os objetos de Reyes estão em permanente redefinição. “As peças de Raúl encontram-se neste terreno, ‘entre’. São quase-pinturas, quase-palavras ou quase-letras que sintetizam e materializam signos presentes na cultura visual contemporânea, na sinalética das cidades e na história da arte. Nesta obra, cruzam-se referências ou contaminações sem citações explícitas e específicas de distintas épocas e procedências”, conclui.

 

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