Raros, Vintages, Inéditos: Itinerâncias | Festival Hercule Florence

É Tudo História!

No campo das artes visuais existe, aparentemente, um sentimento de idílio libidinoso: potências, liberdades e realizações sem fim. A fotografia, entretanto, com o incremento microeletrônico e o advento das mídias digitais – com suas facilidades e conveniências e também por um inegável avanço qualitativo – vive um momento de consolidação de um novo modo de produção, momento em que se instaura uma dicotomia entre a produção eminentemente artesanal e histórica e os novos métodos de produção automatizados, possibilitados pela tecnologia digital. Essa evolução se encontra, contudo, relativizada entre o propósito de mera reprodução técnica e o da real expansão dos conteúdos da representação fotográfica.

Quais as reais consequências desse embate? Espero continuar vivo para responder.

Se observarmos o período histórico imediatamente anterior ao atual, a partir dos anos 1960, percebemos que a consolidação da fotografia físico-química, preta e branca, seguida pela massificação da fotografia colorida nas revistas ilustradas, produziu um grande avanço técnico-estético-industrial, preconizando a evolução da cultura de massa, que culminou, na televisão, com o conceito de aldeia global, hoje exacerbado (descontrolado?) na internet, nas mídias sociais e na eminente interatividade imediata. Nesse contexto, o tempo tornou-se o bem mais precioso, e o caráter artesanal das artes passou a ter seus processos produtivos substituídos por máquinas que potencializam e, em certos casos, automatizam esses processos, ampliando a capacidade humana de realizar tarefas, construir objetos e, por fim, fazer arte.

Mas o que foi feito do legado manufaturado dos objetos transformados pela mão do homem e que carregam o caráter do uno, do raro, do irreproduzível? Da Foto-objeto, em metais raros como a platina e o paládio, viragens em ouro e selênio sobre o sal de prata, ou o charme da goma bicromatada e do cibachrome? Papel artesanal? Ambrótipo? Colocados lado a lado, a produção imediatamente contemporânea dialoga intensamente com o passado das sombras nas cavernas queimadas, essas que hoje são projetadas sobre telas de Amoled – active-matrix organic light-emitting diode (o nome, em realidade, pouco importa, pois amanhã já poderá ser outro…)

É disso que a exposição “Raros Vintages & Inéditos – Itinerâncias” trata: a primeira experiência de viajar com esse projeto de valorização da produção nacional numa revisita técnica, tecnológica e estética, do que foi produzido entre os anos de 1970 e hoje. Com 23 fotógrafos da quase centena de participantes das três edições, os autores vivem essa transformação e estão contando essa história hoje, agora.

Fausto Chermont

Outono de 2018

FESTIVAL HERCULE FLORENCE

Neste ano de 2018 o Festival Hercule Florence de Fotografia completa 11 anos de atuação sistemática na cidade de Campinas. Ao longo desses anos conquistou ponto de referência dentre outros eventos nacionais vinculados à prática e ao estudo da Fotografia no país.

Partindo do nome que lhe empresta sentido histórico e valorização no cenário nacional, o Festival tem como seu principal objetivo difundir a prática e a pesquisa no campo da Fotografia a partir do legado histórico e de inovação que conectam a figura de Hercule Florence à cidade de Campinas. Nesse sentido, organiza-se anualmente com participações variadas de fotógrafos, editores, artistas e estudiosos dessa linguagem, residentes e atuantes em Campinas/SP, tanto quanto de destacados representantes de todo o Brasil que vem até a cidade para participar de sua programação. Outro importante objetivo do Festival é contribuir para que a região de Campinas se torne um polo de produção e desenvolvimento do segmento artístico no país por meio da Fotografia.

A exposição “Raros, Vintages & Inéditos: Itinerâncias” faz parte da programação oficinal do XI Festival Hercule Florence de Fotografia e o tem como apoiador.

 

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