Raro Percurso | Galeria de Arte Ipanema

Aloísio Carvão, sem título, 1990. Foto de Paulo Scheuenstuhl.

A Galeria de Arte Ipanema abre a exposição “Raro Percurso – 52 anos da Galeria de Arte Ipanema”, que marca a inauguração de sua nova sede em prédio com projeto arquitetônico de Miguel Pinto Guimarães. Dirigida por Luiz Sève e sua filha Luciana Sève, a Galeria de Arte Ipanema passará a ocupar o andar térreo e metade do primeiro andar da bela construção com quatro andares e dois subsolos, que abriga ainda três unidades destinadas a escritórios empresariais. Ao longo do período de exposição será lançado o livro “Raro Percurso – 52 anos da Galeria de Arte Ipanema” (Barléu) com texto do crítico Paulo Sergio Duarte, capa dura, formato de 21cm x 25cm, e 100 páginas. “Espero que um jovem que começa sua coleção, um jovem artista ou, mesmo, crítico possam ter uma ideia, embora tênue, do contexto em que nasce a Galeria de Arte Ipanema”, escreve Paulo Sergio Duarte. Para ele, o percurso de Luiz de Paula Sève no mercado de arte e de sua galeria é “coisa raríssima, para não dizer única no Brasil”.

Com 52 anos de atividades ininterruptas, a Galeria de Arte Ipanema volta assim ao seu tradicional endereço no número 27 da Aníbal de Mendonça, onde se instalou em 1972, e mostra nesta exposição inaugural de seu novo espaço sua íntima relação com a história da arte por mais de cinco décadas, e a força de seu acervo. Serão exibidas cerca de 60 obras de mais de 50 artistas de várias gerações e diferentes pesquisas, expoentes da arte contemporânea e do modernismo, entre eles grandes mestres da arte cinética, do concretismo e do neoconcretismo. Junto a pesos pesados da arte, a exposição também reunirá pinturas de artistas mais jovens, como a norte-americana Sarah Morris (1967), que fez “Banco Aliança [Rio]” (2012) – conhecida por suas pinturas geométricas de cores vibrantes, inspiradas principalmente na arquitetura das grandes metrópoles – e os paulistanos Henrique Oliveira (1973) e Mariana Palma (1979).

Em uma verdadeira festa para o olhar, a exposição se inicia com seis pinturas cinéticas da famosa série “Physichromie” de Cruz-Diez (1923) – artista representado pela galeria –, que oferecem três diferentes conjuntos de cores de acordo com a posição do espectador: de frente, caminhando da esquerda para a direita, ou no sentido contrário. Esses trabalhos se juntam a outros grandes nomes da arte cinética, como um óleo sobre tela da década de 1970 e um móbile dos anos 1960 de Julio Le Parc (1928); uma versão em formato de 55 cm da espetacular “Sphère Lutétia” (1996), uma das três obras de Jesús Soto (1923-2005) na mostra; uma pintura de mais de 1,60m da série “W” de Abraham Palatnik (1928), entre trabalhos de outros cinéticos, como o relevo de quase três metros de largura de Luis Tomasello (1915-2014).

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