Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira | EAV Parque Lage

A exposição Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, fechada e censurada em 10 de setembro do ano passado (no Santander Cultural, em Porto Alegre), será reaberta no dia 18 de agosto, às 11h, nas Cavalariças da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV). A aguardada remontagem no Rio contará com 214 obras de 82 artistas reconhecidos nacional e internacionalmente, como Adriana Varejão, Alair Gomes, Alfredo Volpi, Cândido Portinari, Efrain Almeida, Guignard, Leonilson, Lygia Clark, Pedro Américo, Sidney Amaral e Yuri Firmeza. A curadoria de Gaudêncio Fidelis reuniu trabalhos provenientes de coleções públicas e particulares, que percorrem um arco histórico de meados do século XX até a atualidade, formando um mosaico significativo da diversidade estética e geracional da produção artística no país. A Queermuseu é a primeira plataforma curatorial com abordagem exclusivamente queer já realizada no Brasil e a primeira da América Latina com tal envergadura.

A reabertura no Rio foi viabilizada através da mais bem sucedida campanha de financiamento coletivo do país, lançada em 31 de janeiro e coordenada pelo diretor da EAV, Fábio Szwarcwald. Em 58 dias, foram arrecadados um total de R$ 1.081.156, através de 1.724 doações provenientes de 1.659 colaboradores. A campanha contou com iniciativas históricas que impulsionaram o movimento, como um show de Caetano Veloso contra a censura (em 15 de março) e o Levante Queremos Queer, evento que atraiu mais de 2 mil pessoas ao parque num único sábado, em fevereiro deste ano. O valor captado vem sendo investido na operação e na montagem da exposição, na produção de um ciclo de debates, bem como na adaptação museológica das Cavalariças, já em fase de conclusão.

Em paralelo à mostra, como programa público, a EAV promoverá o Fórum Queermuseu. Discussões em torno das manifestações culturais periféricas, das diversas identidades de gênero e orientações sexuais pretendem reforçar o movimento contra a censura e a intolerância, além de reconhecer a pluralidade artística brasileira. A curadoria e coordenação do fórum estão a cargo de Ulisses Carrilho, curador da EAV Parque Lage. As mesas públicas devem acontecer sempre às terças, quintas e sábados, durante toda a temporada da exposição, que seguirá em cartaz até 16 de setembro de 2018. Entre os temas já pautados, estão: “a judicialização da arte”, “crenças e manifestações religiosas’, “o caso Queermuseu: entre a liberdade e a censura”, “arte e política”, “teoria queer” e “fake news”.

Se somará à plataforma o Núcleo de Ação Educativa – também curado por Ulisses Carrilho – pensado a partir de práticas e políticas queer, com o intuito de adensar os debates levantados pela comunidade LGBTI+ ao longo da exposição. “Cremos num pensamento de sociedade onde se entende os diversos modos de ser e de expressar-se como válidos, mas sobretudo no reconhecimento das singularidades e coletividades, daquilo que partilhamos e nos é comum. Manifestamente, preferimos compreender a diferença como uma possibilidade de encontro, em que cada corpo tem autonomia e liberdade para enunciar a sua experiência, elaborá-la e, caso queira, compartilhá-la”, afirma Carrilho.

Para tanto, o Núcleo de Ação Educativa da exposição está sendo pensado com um grupo plural de cerca de 20 pessoas, em que a representatividade de orientação sexual, identidade de gênero e racial compõem um discurso polifônico, diverso e plural. O material educativo não deve ser entendido como um guia preparatório, que explique a mostra, ou muito menos domestique as questões em torno do universo LGBTI+.

A Queermuseu no Rio contará ainda com apresentações musicais em todos os finais de semana da temporada, como aconteceu nos dois levantes promovidos pela direção da EAV. Uma edição da Feira Tijuana de Arte Impressa, a primeira feira de livros de artista organizada no Brasil, também integra a programação de abertura.

“Reabrir Queermuseu é reparar, em parte, o dano causado ao patrimônio cultural e artístico brasileiro, ocasionado pelo seu fechamento precoce e autoritário e o processo difamatório que se seguiu. A reabertura é também um ato político contra a censura e em favor da liberdade de expressão e de escolha”, afirma Gaudêncio, mestre em Arte pela New York University e doutor em História da Arte pela State University of New York.

De acordo com Szwarcwald, a reabertura da Queermuseu, que chegou a ser vetada pelo prefeito Marcelo Crivella em 2017, quando cogitada de vir para o Museu de Arte Rio, “é um fator de resistência da maior relevância à crescente onda ultraconservadora observada no Brasil. E o Parque Lage, por todo seu histórico e reconhecido compromisso artístico, é o espaço ideal pra receber essa grande mostra”.

A programação do dia 18

>> 11h: Baque Mulher nos jardins em frente ao palacete

>> 11h45 às 12h45: abertura oficial da exposição

>> 13h: Dj Tatah Toscano

>> 16h: Sarau Cuíer

>> 18h: Laura Finocchiaro

>> 19h: Jeza da Pedra

>> 20h: Mariwô b2b Galo Preto (Rebola)

Sobre a classificação indicativa

A EAV Parque Lage não impedirá o acesso de crianças de qualquer idade à exposição. O aviso abaixo será destacado na entrada da mostra:

Esta exposição contém obras de arte com nudez, conteúdo sexual e uso de simbologia religiosa, que poderão ofender os valores morais de alguns. Recomendamos levar isso em consideração antes de entrar no espaço expositivo.

O conteúdo desta exposição não é recomendado para menores de 14 anos desacompanhados de seus pais ou responsáveis.Proibido fotografar.

Associação de Amigos do Parque Lage – AMEAV

 

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