Programa Mover-se | Galeria Movimento

foto: Pedro Victor Brandão

Interessada na dinâmica e vigorosa produção de artistas contemporâneos brasileiros, a Galeria Movimento inaugura o Programa Mover-se, que contará com exposições anuais organizadas por curadores e artistas convidados. A primeira edição, com curadoria de Ivair Reinaldim, será “A Queda”, que traz obras de artistas que não fazem parte do acervo da galeria. São eles: Angela Od, Bárbara Mangueira, Maria Mattos e Zé Carlos Garcia. A mostra ficará em cartaz até 16 de dezembro.

“A Queda” reunirá cerca de doze obras de quatro artistas, ocupando as duas salas da galeria. Angela Od traz “pinturas” produzidas a partir de bordados sobre tecido, cujo interesse recai na superposição de imagens de games com as de pinturas medievais, salientando uma narrativa comum entre esses modos de representar. Bárbara Mangueira compõe a coletiva com pinturas produzidas sobre livros, apontando para uma relação estreita entre pintura e fotografia, em imagens que evidenciam o trânsito de um corpo em movimento. Maria Mattos, em seu constante desvendamento da figura feminina, apresenta trabalhos em vídeo e fotografias, com narrativas onde sobressai-se uma atmosfera misteriosa e, por vezes, fantasiosa. Zé Carlos Garcia apresenta obra escultural em contato com a arte plumária, produzindo objetos híbridos, que evidenciam metaforicamente a relação com o voo. A galeria Movimento, ao abrir seu espaço pela primeira vez ao programa Mover-se, apresenta coletiva com obras que abrangem um amplo repertório de linguagens.

Segundo o curador, a mostra propõe uma reflexão acerca da crise existencial do homem contemporâneo frente a uma atmosfera de incerteza e à derrocada de valores. O título “A Queda” remete ao livro de mesmo nome do filósofo Albert Camus, um dos principais representantes do existencialismo francês, junto com Jean-Paul Sartre. No livro, publicado em 1956, o autor aborda a contínua busca do ser humano pelo sentido da existência, invocando a Queda do Homem, como alegoria nesse processo. “A mostra abrange esse momento de desencanto, que pede recolhimento, introspecção e autoconhecimento, a partir da metáfora do herói trágico, provocando-o a uma reinvenção de si e do mundo” explica o curador.

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