Piti Tomé | C. Galeria

A C. Galeria inaugura a exposição “Here I am waiting for your reply”, com trabalhos inéditos da artista carioca Piti Tomé, que tratam da solidão na contemporaneidade. Serão apresentadas 28 obras de quatro séries: “dating spam”, “lugares remotos” e “sem título” e “conversas com Siri”.

Os trabalhos são um desdobramento da pesquisa da artista sobre o meio fotográfico e sua relação com os afetos e com as questões que constituem quem somos. As obras são constituídas por fotografias feitas a partir de satélites, printscreens, junkmails e propagandas. Assim, a artista segue explorando formas alternativas de se fotografar, de pesquisar a imagem e o desenrolar da própria história da fotografia. Através dessas novas formas de apropriação, Piti explora também alguns sentimentos existenciais e a forma como esses, ainda que mudem de características, permanecem eixos estruturais do individuo moderno.

A artista constrói narrativas abertas e não lineares sobre a solidão, o feminino, os afetos, a formação de identidade, as faltas, lacunas e vazios de se viver num mundo onde o encontro real e a experiência sensível perdem espaço a cada dia.


A série “dating spam” é constituída pela junção de frases de e-mails spam recebidos pela artista e retratos de mulheres de diversas épocas. As fotografias parecem retratar personagens solitários, tanto pela expressão das modelos quanto pelo conteúdo escrito nos versos das fotografias. Os e-mails, como averiguado na pesquisa de Piti, são iscas para dar golpes financeiros em mulheres que se atraem por tal conteúdo. São e-mails conhecidos como “dating spam” por se tratar de tentativas de estabelecer uma relação virtual com pessoas solitárias ou carentes. Posteriormente, o remetente começa a pedir quantias de dinheiro por diversas razões. Assim, o trabalho “dating spam” aponta para uma solidão que perpassa diversas épocas, uma solidão feminina, que ainda que tome características diferentes, persiste, pelo menos, desde os meados do século XIX e o início da solidão moderna.

Já a série “lugares remotos” é constituída por fotografias feitas a partir de printscreens de imagens de satélites apontados para coordenadas dos lugares mais remotos do mundo. Desta forma, a artista estabelece uma relação visual entre a solidão e as paisagens desérticas. Em um trabalho desta série, feitos com printscreens do vulcão Shiveluch, podemos ler uma carta que aponta para a narrativa que a artista pretende criar com a série. Uma narrativa que perpassa os afetos, a solidão no mundo atual, o vazio das relações e os desencontros do mundo contemporâneo.

Haverá, ainda, uma série sem título feita a partir de propagandas de revistas apropriadas. Essas propagandas, modificadas digitalmente pela artista, revelam que há também uma indústria que se utiliza dessas fragilidades humanas, que usando como desculpa apaziguar tais sentimentos, acaba por aprofundá-los. A série perpassa questões do feminino, do papel da mulher, da solidão, da culpa.

Ainda será exposto um Iphone com uma conversa entre a artista e siri, o aplicativo de assistência pessoal da Apple. Uma conversa que revela a incapacidade de se estabelecer uma relação que não passe pelo corpo, pelas experiências sensíveis, pelo ser humano. Revelando assim os desencontros de se viver em tempos onde o espaço virtual e o mundo digital têm cada vez mais importância.

 

No dia 11 de abril, a artista inaugura a exposição “90 tentativas de esquecimento”, com mais de 100 obras inéditas, no Paço Imperial.

 

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