Patricio Farías | Bolsa de Arte

A galeria Bolsa de Arte tem o prazer de apresentar, a partir de 03 de setembro, às 19h, “As Desauras de Patricio Farías, primeira individual do artista chileno radicado no Brasil, em São Paulo. Sob curadoria do poeta e crítico espanhol Aldolfo Monetejo Navas, são exibidas esculturas, instalações, maquetes, objetos e montagens fotográficas, abrangendo sua produção artística dos anos 1980 até a atualidade.

Escultor, desenhista, gravador e professor, Patricio Farías (1940) faz parte de uma geração de artistas que, na década de 1970, incorporou novas linguagens à arte contemporânea latino-americana, ampliando os temas e suportes de sua produção. Ele mudou-se para o Brasil em 1981, fugindo da ditadura militar chilena, onde mantinha atividades ligadas ao movimento de esquerda. Morou em São Paulo mas fixou residência em Porto Alegre, onde começou a concentrar-se na produção escultural.

Nesta sua primeira individual na cidade, a curadoria selecionou um panorama bastante abrangente de sua extensa produção.  Utilizando-se de técnicas artesanais administradas com maestria em um processo construtivo muito particular, o artista transforma materiais como madeira, tecido, e metais, como chumbo e ferro, em formas extremamente criativas, resultando em experiências visuais que flertam com os símbolos, com a linguagem, algumas com componentes de ironia e humor.

Destaques de sua mais recente produção, os maquinários alados são de enorme fascínio visual. Caracterizados pela robustez, leveza e flexibilidade que nos faz lembrar dos visionários artefatos de Leonardo da Vinci, estruturas híbridas com asas imponentes são criadas para fazer do desejo de voar um gesto quase possível.

Muitos de seus objetos também explicitam referências duchampianas, valorizando jogos de linguagens e humor, problematizando a representação visual e os hábitos perceptivos do espectador. Existem nesses trabalhos uma atitude crítica face aos códigos visuais da sociedade de consumo e à inserção da arte nessa lógica.

A provocação direta e a transposição dos limites perceptivos na obra de Farías parece mediar o lúdico e o conceitual, o humor e a crítica, a fantasia e a realidade, ativando novas possibilidades conceituais e expressivas na arte contemporânea.

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