Anna Paola Protasio | Galeria de Arte IBEU

Uma revoada de obras da artista Anna Paola Protasio ocupa as paredes da Galeria de Arte IBEU, quando acontece a vernissage de sua nova exposição. A individual “Revoada” será composta por peças feitas com lixas grossas de pintura: uma escultura-móbile com 140 peças de cerâmica pendendo do teto e 75 painéis que ocuparão todas as paredes da galeria, além de uma instalação feita com arames dourados e madeira.

A mostra tem curadoria do crítico de arte Cesar Kiraly e explicita o diálogo que a artista estabelece com a aspereza do material (lixas de pintura) e a poética de asas de pássaros (desenhos gráficos), indo ao encontro de “uma esperança quase que inatingível”, segundo a artista. A exposição é a 13ª individual de Anna Paolla, que trabalhou 20 anos com arquitetura e design de móveis. Com especializações em Desenho e História da Arte, desde 2006 se dedica às Artes Visuais.

“As paredes são tomadas. A imaginação aqui persevera e somos revestidos pela matéria áspera. Se há oposição? Ora, não é o liso ou o estriado, mas relevos muito pequenos organizados na pequena ofensa à ponta dos dedos cuidadosos. Para se mover nessa realidade é preciso desprezar a dor”, diz o curador da mostra, Cesar Kiraly.

“Protasio precipita a superfície negra por todas as paredes, mesmo a coluna estrutural é envolvida. Há algo bem ameaçador nesse ambiente de lixas apontadas contra o mundo. Se viradas noutra direção, se friccionadas com alguma vontade, reduziriam todas as imperfeições a pó”, completa.

Segundo a crítica de arte Marisa Florido Cesar, Anna Paola transparece em sua obra a herança construtiva da arte. Para ela, a artista introduz na abstração e rigor da geometria, elementos sensíveis que perturbam a rigidez das estruturas e a vontade de ordem e de universalidade da tradição construtiva.

“Muitos de seus trabalhos são erigidos com objetos saqueados do cotidiano e esvaziados de sua função utilitária, neste caso, ela utiliza lixas que são usadas para pintura de parede. Deslocados para o universo da arte, tais objetos repetidos e reestruturados, ou unitários, agigantados ou diminutos, pesados ou frágeis, compõem um repertório poético visual de sonhos e dores, ficções e memórias, solidão e temores. Revelam, enfim, entre o cálculo estrutural e o inesperado dos afetos, a insustentável leveza dos dias e dos seres”, diz Marisa.

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