Oswaldo Vigas | MAC USP

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Trata-se de uma seleção das obras mais destacadas do artista venezuelano que está sendo mostrada no continente americano, passando por Lima, Santiago do Chile, Bogotá, São Paulo, México-DF e por algumas cidades dos Estados Unidos. “Oswaldo Vigas. Antológica 1943-2013” é um conjunto constituído por 63 pinturas e cinco esculturas representando os diversos períodos do trabalho do mestre desde seu início. Esta exposição estará no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP) até 10 de julho de 2016.

A equipe da mostra é formada pela escritora, historiadora e ex- diretora do Museu de Arte das Américas, Bélgica Rodríguez, que se encarregará da curadoria junto com a curadora convidada Katja Weitering, que atualmente ocupa o cargo de diretora artística do Museu de Arte Moderna CoBra, localizado na região metropolitana de Amsterdã. Imre Kis-Jovak, membro do Conselho Internacional de Museus, ICOM e do Comitê Internacional de Técnicas do Museu ICAMT, se encarregará da preparação da exibição. Dentre os trabalhos mais recentes de Katja Weitering e de Imre Kis-Jovak, encontra-se a exposição “Miró & Cobra” no Museu de Arte Moderna CoBra, inaugurada em outubro de 2015. Além disso, comparecerá Ana Luisa Dias Leite, encarregada da coordenação da montagem. Ela, dentre seus últimos projetos, fez a montagem da exposição “Art of Another Kind from the Guggenheim Collection” no Museu de Arte Moderna CoBra, inaugurada em abril de 2014.

A exibição permitirá a observação da obra de Vigas, caracterizada por mostrar, com o passar do tempo, um profundo sentido de pertencimento ao continente americano, expressado através das imagens de tipo cosmogônico que remetem não só à natureza (elementos minerais, vegetais e animais), mas também à figura feminina, que vincula miticamente a terra com a origem da vida.

O artista – Oswaldo Vigas é uma figura fundamental da arte latino-americana por ter legitimado o legado cultural da região, mediante a revisão de suas próprias raízes artísticas através do prisma de sua perspectiva global nas artes. Sua obra constitui uma união original entre as raízes culturais do continente latino-americano e as correntes plásticas mais atuais da modernidade.

Em 1952, no começo do mês de novembro, Vigas se mudou para Paris e permaneceu nessa cidade durante 12 anos se dedicando principalmente à pintura. Em 1953, Carlos Raúl Villanueva, o mais renomado arquiteto venezuelano do século XX, convidou Oswaldo Vigas a participar do Projeto de Integração das Artes que ele estava propondo para a criação da Cidade Universitária de Caracas. Ele aceitou o convite e realizou quatro murais em mosaico veneziano e um em mosaico romano, todos fabricados em Paris.

No início de1954, na exposição Oeuvres pour la Cité Universitaire de Caracas, Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, foram expostos fragmentos das obras de Vigas e de outros participantes desse projeto, tais como Fernand Léger, Jean Arp, Victor Vasarely, Alexander Calder e os venezuelanos Mateo Manaure, Pascual Navarro, Armando Barrios e Alírio Oramas, dentre outros.

Os anos 1950 foram de muitas exposições coletivas: no Museu de Belas Artes de Caracas; na Galerie de Beaune, em Paris; Salon de Mai, Paris; XIII Exposição Arturo Michelena, no Ateneu da cidade de Valencia, Venezuela; Exposição Internacional de Valencia pelo quadricentenário da cidade, onde Vigas recebeu o Prêmio Shell; III Bienal Hispano-americana, Barcelona, Espanha; III Bienal de São Paulo, Brasil; The 1955 Pittsburgh International Exhibition of Contemporary Painting, Carniege Institute, Pennsylvânia, EUA. O Ateneu de Valencia lhe pediu que organizasse a participação de artistas venezuelanos que estavam morando em Paris e da delegação estrangeira que participou da Exposição Internacional de Pintura, conseguindo que comparecesse Pablo Picasso, Fernand Léger, Max Ernst e René Magritte, dentre outros. Em 1956 Vigas obteve um dos prêmios de Aquisição no Gulf Caribbean Art Exhibition, Museum of Fine Arts, em Houston, nos Estados Unidos.

Desde 1953 até 1957, ele foi convidado para participar de diversas edições do Salon de Mai no Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, exibindo seu trabalho junto de artistas como Jean Arp, Marc Chagall, Alberto Giacometti, Wifredo Lam, René Magritte, Henri Matisse, Roberto Matta, Max Ernst e Pablo Picasso. Em 1961 ele voltou ao “XVII Salon de Mai”, mas desta vez junto de Francis Bacon, André Masson, John Mit­chell, Antonio Saura e Tamayo.

Em 1964, o artista voltou para a Venezuela, onde se estabeleceu e continuou trabalhando sem descanso. Trabalhou em muitos projetos de desenvolvimento e de administração das artes. Além disso, se encarregou da organização de festivais de cinema documental e de música, de uma conferência de críticos de arte, da fundação de uma associação de novos artistas; visitou museus e lugares históricos nos Estados Unidos, México, Peru, Bolívia e outros países. Vigas sempre manteve um grande interesse no desenvolvimento cultural de seu país. Realizou inúmeras exposições nos museus mais reconhecidos da Venezuela, bem como importantes exposições internacionais como Oswaldo Vigas, 1943-1973 no Museu de Arte Contemporânea de Bogotá, na Colômbia em 1973.

A década de oitenta foi uma etapa muito produtiva, porque realizou várias séries de tapetes e inúmeras peças em cerâmica: relevos em placas de refratário e grés, pratos, vasilhas e outras não utilitárias nas quais aplicou sua conhecida iconografia de seres fantásticos. Mostrou um grande interesse pela escultura e realizou seus primeiros bronzes, que foram expostos em 1985.

O trabalho de Vigas abrange a pintura, a escultura, o gravado, a cerâmica e a tapeçaria. O artista teve, ao longo da vida, mais de cem exposições individuais e sua obra está presente em muitas instituições, tais como o Museum of Fine Arts, Houston, Texas, EUA; San Francisco Museum of Modern Art, Califórnia, EUA; Michigan StateUniversity Art Museum, Michigan, EUA; Museu de Arte das Américas, na OEA, Washington, EUA; Musée Jean Lurçat et de la Tapisserie Contemporaine, Angers, França; Musée des Beaux Arts D´Angers, França; Musée des Beaux Arts, Reims, França; Museu de Arte Moderna de Bogotá, Colômbia; Museu de Arte Contemporânea O Minuto de Deus, Bogotá, Colômbia; Museu de Arte Contemporânea, Lima, Peru; Museu Nacional de Belas Artes, Santiago do Chile, Chile; Museu Ralli, Punta del Este, Uruguai; Avon Collection, Nova Iorque, EUA; bem como em coleções públicas e privadas do mundo todo.

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