Open Studio | Residência Artística FAAP

Mantida em um prédio histórico no centro de São Paulo, a poucos metros do Viaduto do Chá, a Residência Artística FAAP abre as portas no próximo sábado (1.º/6) para o público. O Open Studio, como é chamada a atividade na qual os artistas que estão em residência apresentam suas pesquisas e seus processos, ocorrerá das 12h às 17h. A entrada é gratuita.

A artista carioca Helena Trindade é uma das residentes, ao lado de mais quatro brasileiros, um português e um mexicano. Com um olhar de quem é de fora da cidade, Helena anda pelas ruas da capital paulista fotografando e fazendo vídeos, buscando diferentes aspectos do funcionamento da linguagem. Seu projeto, intitulado “A letra como pré-texto para o jogo poético”, aborda o espaço urbano como um campo ampliado para a poesia visual.

O artista belenense Victor de La Rocque é outro residente que estará presente no Open Studio, com um trabalho que desenvolve sobre rinhas de galo. “A ideia é fazer um paralelo da prática de brigas de galo do México, que são permitidas e protegidas por lei, além de ser patrimônio cultural, com a ilegalidade da iniciativa aqui do Brasil”, diz.

Também compõem a atividade a performance do artista português Diogo Bolota, os desenhos que discutem o gesto e a ação, desenvolvidos pelo carioca Felipe Abdala, uma série de obras do mexicano Jesús Jiménez, como Money, na qual trata a moeda em papel como material de escultura. Ainda é possível conferir a instalação com terrários e plantas da carioca Luana Fonseca, que também conta com elementos sonoros criados por ela, além dos desenhos traduzidos em lambes sobre extinção de espécies, de autoria da artista Paula Dager são outros trabalhos que poderão ser conferidos pelo público.

Para o artista Felipe Abdala, esta é uma oportunidade para se conectar com outros lugares, estabelecer outros pares e fazer novas conexões. “A residência artística proporciona uma imersão no fazer artístico e esse distanciamento me apresenta algumas indagações que eu desejo investigar”, disse.

Helena considera a residência estimulante. “São Paulo é uma cidade cosmopolita, com contato com várias camadas sociais e atividades culturais diversas. Além disso, a residência está localizada no centro histórico, perto de lojas onde é possível comprar o material de trabalho e também próximo a centros culturais. É uma verdadeira imersão”, ressalta.

O português Diego Bolota acredita que fazer residência é interessante porque possibilita questionar certos automatismos no processo criativo e se sujeitar a novas experiências. “O que de mais relevante fui descobrindo foi que ao trabalhar com objetos posso refletir sobre a vulnerabilidade do indivíduo. Ao estarmos rodeados por eles, talvez, possam representar vontades, frustrações e desejos que temos enquanto seres humanos”, nota.

A Residência Artística oferece tempo e espaço para a pesquisa, investigações e o desenvolvimento de projetos, ações e conexões, explica o professor Marcos Moraes, coordenador dos programas de residências e também dos cursos de Artes Visuais da FAAP. O professor destaca que o espaço é procurado por artistas de todo o mundo que estão em busca de novas possibilidades de pesquisa, de entrar em contato com outros profissionais, conhecer lugares distintos dos seus habituais e experimentar novos contextos e processos para sua produção e práticas artísticas.

As inscrições para quem deseja fazer residência no primeiro semestre de 2020 já estão abertas e podem ser feitas até 31 de julho.

Exposição Lotada

Também no dia 1.º/6 será possível acompanhar o último dia da exposição “Lotada”, que esteve em cartaz no MAB Centro. A mostra apresenta a produção dos alunos formados pelos cursos de Artes Visuais da FAAP. São trabalhos em diversos processos e linguagens produzidos por 13 artistas: Alice Tassara, Bella, Carolina Wan, CHRUA + ECORPOESIA, Heloísa Franco, Henrique Cutait, Julia Gallo, Maria Fernanda Simonsen, Mariana Herrerias Reis, Mila Chorovsky, Paul Bleier e Vinicius Maffei.

O título da exposição nasce de uma série de discussões e decorre da aposta em uma ambiguidade entre o significado literal da palavra e a estratégia do grupo de ter loteado o espaço, a partir de um sorteio entre eles. Trata-se de uma alusão ao processo elaborado e proposto por Walter Zanini, em 1972, para a realização da 6.ª JAC – Jovem Arte Contemporânea, no MAC USP.

Nessa ocasião, também será realizado o lançamento do catálogo que documenta a exposição.

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