O que ainda não é

Mostra coletiva traz curadoria de Hércules Goulart Martins, mostra com dez artistas, que abordam situações imprevistas, dúvida e erro em seus trabalhos.

Exposição coletiva O que ainda não é discute o imprevisto na arte

Com curadoria de Hércules Goulart Martins, mostra com dez artistas será aberta 06 de setembro, no Galpão TAC, no Centro

Situações imprevistas, dúvida e erro estão presentes em todas as esferas do cotidiano. Com este pensamento, o curador Hércules Goulart Martins joga os holofotes sobre as artes, onde o não saber é crucial para que os trabalhos se realizem. Ele reuniu um grupo de dez renomados artistas, que usando uma série de suportes e formatos como vídeo, desenho, fotografia, pintura, instalação, ação pública e texto, discutem o tema na exposição coletiva O que ainda não é, de 6 a 27 de setembro, no Galpão TAC, no Centro.

São mais de 50 obras de nomes como Célio Braga, Roberto Winter, Bruno Rios, Ronaldo Grossman, Luciana Martins, Lucas Sargentelli e Giorgia Mesquita. Cada artista participante oferece uma perspectiva particular às oportunidades e desafios conceituais e práticos apresentados pelo imprevisto.

“Geralmente os artistas iniciam trabalhos e desencadeiam ações sem saber precisamente à primeira vista como o que ainda não é virá a ser. Dessa forma permite-se o acesso a um território não familiar, uma terra incógnita, que requer um adequado grau de habilidade devido a atenção e cuidado que tal iniciativa exige”, diz o curador.

O artista Célio Braga tem como ponto de partida a linha e, inspirado nos atos de amarrar, cobrir, cerzir e bordar, trabalha no limite entre o desenho, a pintura, o objeto e a escultura. Já o carioca Lucas Sargentelli convida para uma caminhada no Sambódromo, em que o público participa com os ouvidos tapados. Enquanto isso, Roberto Winter usa um vídeo para discutir as relações entre identidade e anonimato na era da internet e nas redes sociais. Já Ronaldo Grossman trabalha a imprevisibilidade por meio de uma série de desenhos cinemáticos.

Confira abaixo todos os trabalhos que serão apresentados na mostra:

Os artistas e suas obras

Bruno Rios – Apresenta pequenas esculturas de chão feitas de madeira e papel de seda, para bases topográficas sensíveis, que compõem a série Estudos. O artista mineiro utiliza a superfície urbana como estrutura de comunicação nas relações espaciais e sociais cotidianas.

Célio Braga – O artista transita no limite entre o desenho, a pintura, o objeto e a escultura. Seus trabalhos têm como ponto de partida a linha e são inspirados nos atos de amarrar, cobrir, cerzir, bordar e cortar. Artesanalmente são construídos com materiais como fragmentos de desenhos, tecidos, fitinhas do Senhor do Bonfim, e até fotografias. Graduado em artes plásticas pela Gerrit Ritveld Academie, na Holanda, ele vive em Amsterdã e tem trabalhos na coleção permanente do Stedelijk Museum, no Tilburg Textile Museum, e no ROTASA Collection – USA, entre outros.

Gabriel Torggler – O jovem paulistano apresenta uma seleção de sete desenhos e uma gravura em metal, produzidos entre 2011 e 2014. O artista cria toda uma mitologia fantástica a partir dos produtos oferecidos pela indústria cultural, sobretudo do consumo indiscriminado de programas de televisão, bem como a partir dos personagens reais e habituais que ele observa atentamente em suas andanças pelo centro de São Paulo. Ele também constata as mudanças que a metrópole sofre diariamente na sua arquitetura e topografia. O erro em seus desenhos de caráter fabuloso, primitivo-surreal, é assimilado constantemente como elemento integral da obra.

Giorgia Mesquita – A artista, que vive e trabalha em São Paulo há dois anos, apresenta dois trabalhos na exposição. A obra não-projetos é feita de papel, gesso, guache, cola, plástico e fita adesiva, representando justamente as muitas ideias não materializadas, que acabam acumuladas, até serem colocadas no lixo, para reciclagem, ou deletadas da memória do computador. A outra, sem título, é produzida em isopor, neon, plástico, gesso e massa de modelar, e também discute a questão das ideias não colocadas em prática.

Iam Campigotto – Paulista radicado em Florianópolis, apresenta o vídeo Alfabetamão, feito em 2013, assim que tirou a tala que segurava seu dedo mínimo fraturado. Incorporando a proposta da diretora de cinema Miranda July, decidiu fazer uma pose por segundo para saber as possibilidades de movimento que seria capaz de realizar.

Lot Meijers – A artista holandesa irá apresentar um trabalho na forma de texto, This Means That, com o qual pretende desencadear percepções inusitadas e sensíveis elaborações mentais.

Lucas Sargentelli – O artista promoverá uma caminhada pelo Sambódromo, no dia 07
de setembro, às 12h, partindo do galpão TAC. O percurso visa potencializar a experiência dos participantes em relação a espacialização das especificidades do entorno. No galpão TAC, Lucas apresenta os registros de seu trabalho anterior. Por meio de duas fotografias e de um memorial descritivo, ele mostra seu “passeio” guiado pela Uerj, realizado em 2013.

Luciana Martins – Uma das mais importantes designers do Brasil, dá um caráter interdisciplinar à mostra. Apresenta uma série de desenhos de traço realista-abstrato, feitos a partir de suas investigações e infindáveis exercícios formais. Se por um lado os trabalhos podem ser vistos como esboços de possíveis projetos, por outro se apresentam como obras autônomas.

Roberto Winter – Na coletiva ele apresenta o vídeo Revolution Institution, em que discute as relações entre identidade e anonimato na era da internet e das redes sociais. O ponto de partida é a máscara de Guy Fawke, que foi popularizada nos protestos ocorridos a partir de 2011 e também usada pelo grupo Anônimos. Paulistano, já participou de inúmeras mostras coletivas, como Amor e ódio a Lygia Clark, na National Gallery or Art, na Polônia, e as individuais vendas de sorvete provocam ataques de tubarão, na Mendes Wood, em São Paulo, e a The State of the Art, na Galeria Elba Benítez, em Madri.

Ronaldo Grossman – Depois de participar de importantes individuais em espaços como a Galeria Anita Schwartz, o Largo das Artes, ambas no Rio, e na Fundação Brasileia, em Basel, na Suíça, o artista apresenta uma série de desenhos que gera uma nova sintaxe visual por meio de um processo de repetição, diferença, multiplicação e espelho. Grossman propõe um espaço de vertigem e imprevisibilidade, fazendo a percepção fluir em ondas cinemáticas. Sua obra não tem centro, foco ou detalhe. Tudo se dá na medida em que sua lateralidade nos embaralha a retina e nos envolve como matéria de sua ação, desestabilizando assim a posição do observador no espaço imediato.

Sobre o curador – Nascido no Rio de Janeiro e radicado há 23 anos em Amsterdã, Hércules Goulart Martins é diretor, produtor e curador da TeTo Projetcs. A Fundação é uma plataforma que funciona como alternativa aos espaços comerciais e institucionais existentes na cidade. Oferece um ambiente flexível e visa o estímulo à experimentação, produção e apresentação das atuais práticas artísticas, bem como um intercâmbio interdisciplinar.

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