Myriam Glatt | Museu Correios

Brasília inspirou a artista visual carioca Myriam Glatt em sua primeira exposição no Distrito Federal e oitava individual, intitulada “Plano Pictório Piloto”, que será inaugurada no dia 8 de agosto, às 19h, no Museu Correios. Sob curadoria de Ivair Reinaldim, a mostra será composta por dez obras, sendo cinco inéditas, incluindo um painel composto por 184 azulejos, inspirado em Athos Bulcão e feito especialmente para a ocasião. Os trabalhos serão organizados em três núcleos principais que relacionam as obras da artista a algumas questões da capital federal.

No primeiro núcleo serão apresentadas “Composição Floral 6” e “4 Estações”, obras anteriores, já exibidas no Rio de Janeiro e em São Paulo, que fazem referência tanto ao interesse de Myriam Glatt pela condição estrutural do módulo que se repete, formando um conjunto maior, quanto pelo caráter cíclico da natureza. Esses trabalhos, neste contexto expositivo, aludem à monumentalidade da paisagem do cerrado e ao orgânico como forte presença frente ao geométrico, elementos que não se excluem, mas se complementam.

Na sequência, o segundo núcleo reúne “Autofagias”, “Periódicos”, “Entre Abas” e “Escultura ZigZag”, reforçando a passagem de pesquisas anteriores da artista para a presença de novos trabalhos, realizados especialmente para a mostra. Em todos eles, a ressignificação do suporte (tela, páginas de jornal e papelão), ora explicita o resgate daquilo que outrora havia perdido sua utilidade, passando a ter seu valor transformado, ora evidencia a possibilidade de reestruturação do fragmento por meio do ato pictórico, dando nova visibilidade a esses materiais, seja pela inserção da geometria seja pela predominância das áreas de cor. Surge, nesse processo, o desejo de participação do espectador, uma vez que alguns desses trabalhos permitem a alteração de suas formas.

A artista começou a trabalhar com materiais reciclados como papelão, caixas de fósforos e jornais depois de ver o excesso destes descartados pela cidade. A partir destes materiais, a artista, que é formada em Arquitetura, cria colagens e campos de cor. “Gosto da ideia de construir, de trazer elementos que vem de diversos lugares para juntos brotar um novo dialogo. Afinal, deslocar, apropriar, selecionar, cortar, colar parece fazer parte de um pintor contemporâneo”, analisa Myriam Glatt.

No terceiro e último núcleo serão apresentadas as obras “Aba Móvel”, “Geometria Móvel”, “Mandala” e o trabalho que particularmente dialoga com o local da exposição. Neste último espaço é possível perceber uma continuidade em relação às questões anteriores, reforçando-se a ênfase sobre a participação do espectador. Em alguns momentos, isso ocorre na alteração da configuração espacial do trabalho por meio da manipulação direta do espectador e, em outros, pela presença integral de seu corpo, que se coloca em relação com a proposição artística como um todo. Parte desse módulo destaca o diálogo da pintura sobre papelão com as cores e o ambiente arquitetônico.

“A mostra culmina no interesse da artista sobre certo aspecto particular de Brasília: os azulejos modernistas de Athos Bulcão. A partir da modulação, detalhes de imagens que fazem referência a formas geométricas e orgânicas reconhecidas na arquitetura, na escultura, na fauna e na flora da capital federal, combinam-se de diferentes modos, apontando para uma diversidade de arranjos e para novos caminhos a serem explorados nesse processo”, avalia o curador Ivair Reinaldim.

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