"Movimentos", de André Castro

Depois de ser exibida em Miami, mostra manifestantes de diferentes nacionalidades

Depois de ser exibida ?durante a Art Basel em Miami, BKLYN fair no Dumbo-Brooklyn e ocupar a Opus Galery no Chelsea, Nova York, a exposição “MOVIMENTOS” chega ao CCBB de Belo Horizonte. Inspirado pelos movimentos políticos desencadeados no mundo todo durante os últimos anos, o artista visual André De Castro traz um painel formado por telas em silkscreen com uma série de retratos e referências de jovens que participaram das manifestações democráticas no Brasil, em 2013, além de Turquia, EUA e Grécia.

O painel, iniciado em 2013 e em constante expansão, será concluído nas exposições no Brasil com telas inéditas. ?Após a temporada no CCBB da capital mineira, a exposição passará pelo CCBB de Brasília, em junho, de onde seguirá para a Caixa Cultural, no Rio de Janeiro, em agosto e setembro.

O contato com os manifestantes aconteceu pelo mesmo meio que eles utilizaram para organizar as passeatas na época: a internet. Com ajuda da rede, André identificou e reuniu uma série de referências de cada jovem – cores, imagens, músicas e objetos, por exemplo – para criar uma composição única, mostrando as singularidades de ideias e culturas de cada um. “Busquei contato por hashtags, em grupos do Facebook, no Twitter… A grande maioria dos participantes são jovens que estão sempre conectados, e assim que os identifiquei, conversei sobre o projeto e ?pedi a cada retratado que enviasse uma foto de rosto e respondesse a uma série de perguntas relacionadas ao movimento político de seu país e sua identidade”, conta o artista, que convida o público a comparar referências e perceber possíveis pontos em comum entre as colagens.

A escolha da técnica também não foi por acaso. A serigrafia é associada a movimentos políticos históricos e a mitificação de personalidades, como Che Guerra, Marilyn Monroe e o presidente Barack Obama, por exemplo. ?No entanto, a intenção não é ??elevar heróis ou representantes dos movimentos, mas usar essa técnica para valorizar a agência de todos, valorizar o conjunto formado por indivíduos únicos. ?Cada imagem é um monoprint, uma estampa impressa em cópia única, que cria uma linguagem visual espontânea e gestual, sem registros ou alinhamentos. Na sala de exposição, as referências visuais de cada um são acompanhadas pelo áudio de trechos das músicas escolhidas por eles.

Além de exposto em uma sala ambientada com trechos de músicas mencionadas pelos jovens, o painel estará disponível no site ?www.projectmovements.com?. As imagens são organizadas no painel não por nacionalidade, mas em ordem alfabética, permitindo combinações espontâneas entre os retratados. A exposição no Brasil conta com texto inédito do historiador Daniel Aarão Reis e será publicado um catálogo bilíngue pela Aeroplano Editora e Pratt Press com o painel completo (EUA).

 

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