Miro Bampa | Casa Fiat de Cultura

“O que escondo só a mim basta” é a exposição do artista Miro Bampa que a Casa Fiat de Cultura inaugura no dia 9 de outubro. Um dos projetos escolhidos no 2º Programa de Seleção da Piccola Galleria, a mostra é composta por uma série de 30 objetos, no formato de 30 x 20 cm, criados a partir da fragmentação de memórias afetivas do artista. O agrupamento dessas lembranças em um ato estético é um processo autobiográfico de resgatar uma história, abrigando os fantasmas acumulados em uma narrativa secreta. A exposição, que tem curadoria de Fabio Cerqueira, fica aberta à visitação até 25 de novembro, com entrada gratuita.

O trabalho de Miro Bampa está voltado em sempre descobrir novos materiais e novas possibilidades. Os objetos que integram a exposição “O que escondo só a mim basta”, por exemplo, são construídos com a técnica de encáustica: imagens, textos e cartas são misturados com cera de abelha em um bloco de parafina com aproximadamente 1 cm de espessura. A intenção do artista é dar a sensação de página de livros, panfletos ou cartazes, sugerindo a visão de um diário ou algo semelhante, uma forma de registro pessoal, que revela-se num processo linguístico e iconológico para a livre interpretação de suas histórias. Segundo ele, o trabalho apresentado é desenvolvido em função do imaginário. “Nada é falso, mas sim uma história a ser investigada”, conta.

O processo criativo do artista começa resgatando imagens, textos e fragmentos de cartas que, em seguida, são agrupadas de maneira intuitiva. A criação de cada obra é inicialmente estética, os textos são apresentados conforme a necessidade poética e imagética da obra. De acordo com Miro, a construção tem como ato principal uma imagem central de maior peso que permite variantes imaginárias ao espectador. “A interpretação de cada obra será pessoal, pois as palavras ou frases permitem aos outros construir minha história ou narrativa”, ressalta.

Miro Pampa, em suas obras, costuma fazer releituras de antigos trabalhos. Como o guarda-chuva que está presente em alguns objetos e faz parte da uma outra série de mesmo nome. E a cadeira, que fazia parte de uma série que se chamava “Silêncio”. “O objeto é refação, cada coisa é sempre refeita. É uma constante redefinição e ressignificação da arte. Tudo pode servir como inspiração e material para novas produções”, afirma.

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