Mariana Katona Leal e Regina Cabral de Mello | Galeria de Arte IBEU

Abrindo o calendário de exposições do ano, a Galeria de Arte IBEU inaugura duas individuais simultâneas: “Janelas”, da artista Mariana Katona Leal, e “Lucas”, da artista Regina Cabral de Mello, ambas selecionadas através do edital do Programa de Exposições Ibeu 2018 e com curadoria de Cesar Kiraly.

“Janelas”

Em sua primeira exposição individual, Mariana Katona Leal apresenta videoinstalações com gestos repetidos de um dançarino com o recurso de distorção da imagem, através de telas em diferentes temporalidades. É uma maneira de responder ao conceito do fora de campo e os gestos de um dançarino com o uso de ferramentas tecnológicas.

Perceber o movimento através das telas e a distorção da realidade através delas coloca, entre outras questões, uma percepção de que o limite dos enquadramentos são dinâmicos e instáveis, assim como o olhar de quem vê essa construção proporcionada pela utilização de mídias digitais.

“Nesta sua primeira individual, Mariana Katona Leal apresenta três instalações em vídeo, em que pesquisa o movimento a partir do corpo de um bailarino. As imagens sofrem variações de continuidade e repetição e são interrompidas pela conjugação de diferentes suportes. Os experimentos são cercados por tênue humor sombrio, presente no desmembramento do corpo em pedaços, rapidamente abrandado pela organicidade com que se movem”, analisa o curador Cesar Kiraly.

“Lucas”

A série de fotografias de Regina Cabral de Mello trata da impessoalidade de certos ambientes públicos projetados e que, teoricamente, deveriam ser mais acolhedores. Na verdade, são frios e distantes e nos tornam mais solitários pelo uso padronizado de determinados acabamentos de arquitetura. Pisos frios como mármores e porcelanatos, iluminação com lâmpadas de luz fria e LED, espaços fechados com janelas trancadas, corredores gelados com ar condicionado central e elevadores de aço automatizados… Todos esses elementos poderiam estar presentes em um hotel, flat, saguão, shopping ou  escritório de uma empresa, assim como em um hospital ou uma clínica. As 12 fotografias apresentadas foram feitas com o uso de um iPhone 6 em um hospital, mas poderiam ter sido feitas em qualquer um dos lugares citados.

“A individual da Regina Cabral de Mello é composta por fotografias de celular em ambiente de aridez e incorreção estética. O desafio da artista é encontrar a lírica que sobrevive apesar dos tons metálicos dos elevadores, do reflexo dos pisos e da luz fria. A exposição continua o esforço de acompanhamento da demolição, como fizera em imagens do processo de ruína do antigo Hotel Glória”, comenta o curador Cesar Kiraly.

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