Maria Leontina | Dan Galeria

Formas geométricas e cores sólidas são presenças quase que constantes na obra de Maria Leontina (1917 – 1984), artista referencial para a arte moderna brasileira. Suas abstrações geométricas, entretanto, raramente são colocadas de maneira bruta, por traços fortes e bem definidos. A transição suave de cores e formatos talvez seja a mais peculiar marca de sua produção, agora celebrada pela mostra “Maria Leontina – Poética e Metafísica” que a Dan Galeria recebe.
Com curadoria de Peter Cohn e Alexandre Franco Dacosta, a exposição marca o centenário de nascimento da artista brasileira cujos trabalhos destacam-se na chamada geometria sensível. São 73 obras, entre desenhos e pinturas, que abarcam as quatro décadas de produção de Maria Leontina e a sua incessante investigação pelo enigma do tempo – plano metafísico que impregna e dá alma à sua abstração concretista.
A mostra traz obras de fases diversas da artista, entre as quais Jogos e Enigmas, Da Paisagem e do Tempo, Episódios, Cenas, Páginas e Estandartes. Os títulos conferidos pela artista a suas séries indicam seu interesse pessoal pela passagem dos instantes, seja na forma da narrativa, seja nos mistérios ontológicos do tempo.
Considerada por diversos críticos como o momento de maior singularidade em seu percurso, a fase construtiva de Maria Leontina – que enquanto pintora começou expressionista, autora de trabalhos figurativos -, se manteve à margem das escolas tradicionais. A artista desenvolveu uma peculiar geometria, na qual a rigidez da linha e o rigor matemático da composição foram substituídos por uma ordenação intuitiva, de formas geométricas imprecisas e cores sobrepostas, resultando em pinturas repletas de transparências.
 

Compartilhar: