Marcos Amaro | Centro Cultural Correios

Marcos Amaro, Sobrevoo

O artista paulistano apresenta cerca de 20 obras de médias e grandes dimensões na individual “Sobrevoo”, composta de esculturas e assemblages (colagens com objetos e materiais tridimensionais), com curadoria de Ricardo Resende. “Desmonte, acúmulo e colagem” são a base do processo de criação das obras de Amaro, “um inventor que tem gosto de reinventar as coisas”, nas palavras do curador. O artista tem realizado desde 2015 exibições de suas esculturas e obras em diversos suportes dentro e fora do país. Atualmente, o artista está em cartaz no Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande (MARCO), mostra que passou anteriormente por Sorocaba. A visita é gratuita e a exposição segue em cartaz até 18 de junho.

Aviões desconstruídos e transformados são a principal matéria-prima das criações apresentadas, quase todas recentes e nunca antes exibidas. Além dos pedaços de aeronaves, rígidos, tecidos surgem nos seus interstícios, trazendo um contraponto de suavidade e explicitando substratos de memória que ecoam no trabalho do artista: apaixonado por aviação, Amaro (que já pilotou e tem brevê) é filho de um aviador e de uma estilista. Mas a memória e acúmulo de materiais, muitas vezes retirados de outros objetos, deslocados e ressignificados, caso de pneus, turbinas e asas, são uma espécie de paixão pela aviação às avessas, como explica o curador. Nada ali é feito para voar novamente, destaca Ricardo Resende, e os pedaços de avião e outros materiais descartados, usados e envelhecidos, como feltro, madeira, ferro, plástico, pneu, cano, corda, skate, lâmpada fluorescente, água, colchão, aparelho de televisão, intercalados com amarrações e soldas, se transformam “em um amontoado de coisas organizadas, sem deixar de evidenciar o equilíbrio precário das peças, esculturas e instalações em seu estado bruto”, diz no texto da exposição.

Para Resende, as obras, de médias e grandes dimensões – chegam a ter mais de quatro metros de largura e cinco metros de altura, em alguns casos – resultam de “partes combinadas que constroem formas inusitadas, as quais, de tanta memória que carregam, ainda exalam cheiros, mesmo que eles já não existam mais nos restos do avião. Sente-se no ar o odor da querosene, do óleo queimado das turbinas, da poeira acumulada nos feltros e lonas que faz uso para criar suas ‘pinturas’ e esculturas matéricas”.

Resende destaca a presença da paixão e morte presentes no trabalho com as carcaças de aviões. “Mas o que faz, estranhamente, é dar sobrevida com afeto a estas máquinas agora inúteis, que foram voadoras algum dia”, pontua.
Representado pela GaleriaAndreaRehder Arte Contemporânea, participou de grandes feiras como ArtZurich (Suíça); ArtWynwood (EUA), SP-Arte (Brasil), CONTEXT NY (EUA), PARTE Feira de Arte Contemporânea SP (Brasil) e Scope Basel (Suíça). No mês de abril o artista expõe obras na Galeria Luis Maluf e desenhos no Clube Atlético Paulistano.

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