Marcia de Moraes | Galeria Leme

A Galeria Leme apresenta a quarta exposição individual de Marcia de Moraes em seu espaço. Intitulada “História do Olho”, a mostra apresenta a produção mais recente da artista através de um conjunto inédito de desenhos, colagens e esculturas em cerâmica.
O espaço expositivo é ocupado por uma grande instalação formada por 15 metros contínuos de desenhos feitos com grafite e lápis de cor. Este conjunto se relaciona com 4 colagens nas quais a artista explora a justaposição de planos bidimensionais de desenho, criando complexas composições de tramas e cores vivas.
Essa exploração tridimensional culmina na apresentação, pela primeira vez, de 10 esculturas de cerâmica, nas quais está presente o vocabulário imagético que Marcia vem desenvolvendo há dez anos em seus desenhos e colagens: línguas, dentes, ovos, cordões umbilicais, estruturas cilíndricas e circulares, ossos, caules, caudas, entre outros.
O título da exposição faz uma referência ao livro “A História do Olho” escrito pelo escritor francês Georges Bataille em 1928, que narra as intensas e exóticas aventuras sexuais de um jovem casal, descrevendo de forma detalhada os seus desejos e peripécias envolvendo outros parceiros. Tamanha intensidade leva um dos personagens a sofrer uma síncope e enlouquecer totalmente. Mas os trabalhos desta exposição não foramfeitos como uma ilustração do livro. Segundo a artista, a relação destas obras com o livro se tornou evidente a partir dos resultados que ela obteve com a argila e os esmaltes usados nas esculturas. As suas formas exalam erotismo e visceralidade, parecem pedaços de carne cheios de reentrâncias e de penetrações. O acabamento envidraçado e brilhante das peças lhes confere ainda mais organicidade, pois à primeira vista parecem molhadas.
Apesar das suas diversas formalizações, há uma grande coerência entre as obras de Marcia de Moraes nas suas explorações entre os espaços cheios e vazios das composições, assim como no encontro entre cores intensas com formas fluidas e gestuais. Tal fio-comum garante à sua obra uma filiação, por mais que indireta,
ao legado das vanguardas abstratas brasileiras, que têm na cor e na sugestão de movimento dois de seus fundamentos. Os seus desenhos em grande escala, as suas colagens intrincadas e as suas esculturas viscerais, são manifestações de diferentes negociações rítmicas espaciais que exprimem cadências psíquicas
às imagens. Ao ver os trabalhos juntos, tem-se a sensação que as formas e cores vibrantes saíram dos papéis e agora pertencem ao mundo tridimensional, ou vice-versa. Assim, a exposição convida o público a criar suas histórias com os seus próprios olhos.

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