Marcelo Solá e Pedro Kastelijns | Gabinete de Arte K2O

É a primeira exposição do artista goiano na galeria, que agora o representa com exclusividade em Brasília. Composta por trabalhos inéditos em grande dimensão, técnica mista sobre papel fabriano.
Em paralelo, o artista Pedro Kastelijns participa dos projetos Muro e Vitrine. Cria obra mural especialmente para o muro de um dos pavilhões e fará pocket show na abertura com suas próprias composições, lançando um livro editado pela Hidroland Graphix.
A exposição reúne obras inéditas e recentes do artista goiano Marcelo Solá, um conjunto de 12 desenhos / pinturas com técnica mista em grandes formatos sobre papel fabriano.
Menos centrado no preto e branco, o artista evolui em seu desenho irreverente agregando cores vibrantes e liberdade gestual, marcada pela influência da poética urbana. Seus planos e sobreplanos se multiplicam, a tinta espessa aparece mais em grandes manchas ou escorre no plano que se multiplica progressivamente.
Cria-se um caos harmonioso, pulsando entre o traço, a cor, o texto e o grafismo. Seu universo é denso e amplo, sua língua livre, sua linguagem própria. As composições ora suaves, ora explosivas, são plenas de potência criativa, envolventes e sedutoras, trazendo elementos lúdicos ou dramáticos, muitos pontos de luz que se alternam. Há ironia, há humor, há tensão. Há um exercício contínuo em busca da liberdade na pintura, que ele consegue expressar como poucos.
No ano 2000, Solá, teve sua primeira individual em Brasília, sob curadoria de Karla Osorio que o apresentava à cidade e publicou seu primeiro livro (Coleção Artistas 21). À época a crítica carioca Ligia Canongia ressaltava algo ainda muito atual e verdadeiro sobre seu trabalho, dezoito anos depois. Seu “…desenho é vivo, com as formas inacabadas de um universo em explosão, onde as coisas passar a ser apenas vestígios do que foram ou do que poderia ser… são pedaços de uma memória remota e existencial, seguida de lapsos, muitos lapsos”…
Por outro lado, o curador paulista Agnaldo Farias há pouco tempo lembrava que em seus desenhos …”uma profusão de cores florescem no papel, e também aquém e além dele. Justapostos, intercalados, embora em alguns casos haja interpenetrações e mesmo sobreposições, os motivos como que se ajustam preenchendo os espaços no preto. Há formas arquitetônicas, algumas nítidas outras embaralhadas, que se despacham para o fundo, abrindo perspectivas no plano escuro; há silhuetas e rabiscos, contornos retráteis que se encolhem ou se exaltam em reverberações semelhantes às que encontramos à tona dos lagos; há palavras, letras e números, sentenças variáveis, datas e lugares, que nos levam a espaços mentais e temporais, fazendo-nos deslizar em outros sentidos, como é típico da linguagem escrita; há, por fim, o plano chapado das cores… invadindo o espaço que separa nosso olhar da folha de papel ou puxando-nos para o seu interior…”
Apreciar este conjunto atual evidencia uma evolução na obra do artista, aponta para um caminho de nova identidade. Constata-se que ele deixa de lado algumas referências fundamentais em sua obra como Joseph Beyus, Cy Twombly ou Jean Michel Basquiat. Seu estilo e sua identidade são cada vez mais próprios, tornam-se história, viram sua própria referência que há de se multiplicar e evoluir por muito ainda.
Solá é cada vez mais Solá !
 

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