Marcelo Moscheta | Sesc Pompeia

“Toda pedra é uma pequena montanha”. Esta frase, pintada sobre um muro em um povoado em Portugal, acendeu uma faísca no artista visual Marcelo Moscheta, cujos desdobramentos podem ser vistos no Sesc Pompeia, entre os dias 10 de novembro e 3 de fevereiro de 2019.

“A pedra tem uma capacidade de transformação que nos ultrapassa. Ela pode ser maleada, partida e reconfigurada sem perder sua origem. Por entender que desenho é trajetória, Moscheta já viajou o mundo transferindo pedras de seus locais, grafando com GPS seus exatos pontos de origem e especulando sobre a possibilidade de envolver o planeta em um desenho desses deslocamentos, como pontos no globo unidos pela obstinação do artista”, explica o artista, pesquisador e educador Guilherme Dable no texto de apresentação da instalação.

O que encanta Moscheta são os ciclos da natureza, que representam períodos de renascimento. “Tudo está em movimento e, para evidenciar isso, a instalação “Transumantes”, no Hall do Teatro, altera a função dos paralelepípedos encontrados no chão. As peças ocupam uma das paredes do espaço, como se flutuassem. E, como toda transformação deixa rastros, há também uma pilha de papéis cortados no mesmo formato dessas pedras, além de desenhos feitos de carvão. Todas as estruturas são ligadas por uma peça metálica”, conta o artista.

A ideia da mutação também está presente nos desenhos que compõe a instalação. Conhecido por suas criações em grafite e PVC preto, Moscheta produziu obras em carvão sobre papel. O resultado é que a alvura do papel em contraste com a opacidade do carvão parece querer enfatizar o aqui e o agora.

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