Marcelo Cipis | Anita Schwartz Galeria de Arte

Anita Schwartz Galeria de Arte recebe a exposição “DeaRio”, com mais de 40 obras do artista paulistano Marcelo Cipis (1959), entre pinturas, desenhos, objetos, instalações, inéditos ou emblemáticos nos últimos 25 anos de sua trajetória. Esta é a primeira individual no Rio de Janeiro do artista, que integrou a 21ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1991, duas edições da Bienal de La Habana (1991 e 1994), e em 2017 expôs na galeria Spike Berlin, com curadoria de Tenzing Barshee, na capital alemã.

No texto crítico que acompanha a exposição, Adolfo Montejo Navas destaca ser “tão problemático quanto inquietante o lugar obrigatório e crítico da pintura na globalização visual”. “Sobretudo para obras que falam com uma sintaxe estética paradoxal (composições, figurações, cromáticas), que parecem procurar uma inocência, uma recuperação de certo elã vital das coisas, mas que fazem respirar uma suspeita instalada mais embaixo, a de que esta imagética é distópica e utópica ao mesmo tempo!”, enfatiza. “Não em vão, ‘A utopia é aqui’ (pintura feita por Marcelo Cipis em 2019, especialmente para a exposição), por exemplo, repotencializa pinoquiamente um nariz ampliado, que pode ter alguma alegoria política próxima”, observa.

Marcelo Cipis diz ser “utópico, otimista, embora com momentos de pessimismo”. “Acredito que não é possível permanecermos nessa barbárie do mundo atual ad eternum. A arte tem uma vocação de apresentar essas questões, e eu me aproveito disso, de uma maneira leve, não agressiva, digamos, zen”, comenta.  “Os ideais das vanguardas do século 20 estão presentes em um clima de utopia e otimismo constantes. O foco na cor, na beleza, se é que posso falar de beleza… Penso ser necessário algum deleite, percorrer superfícies que têm um registro cromático e gráfico, que podem suscitar um prazer visual, espiritual. Pretendo provocar isso. Um convite a uma parada, uma reflexão. É um mecanismo, uma estratégia para a criação de um mundo melhor”, afirma.

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