Maquinações – Artistas, Máquinas e a invenção do cotidiano | Centro Cultural Oi Futuro

Traquitanas, invenções, improvisos, subversão das funções dos objetos. Obras nada convencionais de artistas-inventores são a tônica da exposição “Maquinações – Artistas, Máquinas e a invenção do cotidiano”, em cartaz no Centro Cultural Oi Futuro, no Rio de Janeiro.

Com curadoria de Fred Paulino, designer e idealizador do conceito de Gambiologia (“ciência da gambiarra”), Maquinações reflete sobre a criação e operação de máquinas por artistas que são também inventores de engenhocas e atuam na intersecção entre arte, ciência, tecnologia e vida. São criadores que transformam seus ateliês em oficinas, suas oficinas em laboratórios, seus laboratórios em extensão da vida.

“Tenho interesse em investigar a relação dos artistas com a criação de aparatos técnicos, com uma proposta de arte eletrônica que tenha a marca do improviso, da precariedade, do despojamento e do reuso de materiais”, explica.

Na mostra, 13 artistas e coletivos brasileiros e estrangeiros apresentam seus trabalhos, apostando mais na interação do que na interatividade, no analógico sobre o digital, na reutilização em vez do consumo e em soluções e técnicas acessíveis em contraponto às complexidades contemporâneas.

Os nomes vão dos veteranos suíços Peter Fischli e David Weiss, passando pela mexicana Azucena Losana e pelo francês Zaven Paré, até os consagrados Guto Lacaz e Abraham Palatnik, ao lado dos artistas brasileiros Paulo Nenflídio, Lina Lopes, Giovanna Casimiro, Milton Marques, Daniel Hertel, Sara Lana, Leandro Lima, Gisella Mota e Ganso.

Duas performances marcarão a abertura da exposição no dia 04 de junho: Luvina, por Azucena Losana, em que a artista-cineasta manipula e projeta filmes de cinema ao vivo, e Corpo Utópico, do controverso cineasta Neville D’Almeida, em parceria com sua filha Sophia S.A. e com a artista mineira Juliana Porfírio.

Acontece ainda, como parte da programação, oficina com a artista mexicana Azucena Losana com a construção de projetores “precários” de slides utilizando caixas de papelão e lentes de baixo custo.

“Teremos a ousadia de fazer uma exposição de arte e tecnologia que não conta com nenhum computador na galeria”, avisa Fred Paulino. “Independente da mídia utilizada, me interessa uma arte que seja sensível, esteticamente propositiva e, mesmo assim, suscite questões políticas, tecnológicas e sociais”, arremata.

“Mãos na massa”

O flerte com o movimento maker e com a cultura do “faça você mesmo” é evidente. A origem está no projeto Gambiologia, que se desdobrou em duas edições da exposição Gambiólogos – A gambiarra nos tempos do digital, em 2010 e 2014, e na edição da Facta – Revista de Gambiologia – sempre propondo reflexões sobre arte e tecnologia que dialogam com uma estética do improviso.

 

Compartilhar: