Maíse Couto | Casa Fiat de Cultura

Estar no mundo, sem ser do mundo: Maíse Couto na Piccola Galleria da Casa Fiat de Cultura

A artista plástica Maíse Couto apresenta suas obras na Piccola Galleria da Casa Fiat de Cultura. A exposição “Estar no mundo, sem ser do mundo” conta com uma série de sete pinturas, sendo cinco delas inéditas, em tamanhos variados. As obras delineiam um universo pictórico elaborado a partir da experimentação de um espaço que não se submete à linearidade de nenhuma perspectiva conhecida, mas a uma paisagem só experimentada no território livre da poesia e da pintura.

As obras que compõem a série combinam técnicas de tinta a óleo, tinta acrílica e carvão vegetal, e são fruto da imersão de Maíse Couto em suas questões pessoais e do enfrentamento da rotina solitária e silenciosa do ateliê. O processo criativo da artista se dá a partir do problema da tela em branco e no decorrente jogo de seleção e deleção instaurado na busca de equilíbrio plástico de elementos que atravessam as fronteiras entre a figuração e a abstração. “Entro lentamente na pintura, sem imagens ou orientações preconcebidas. Alinho-me a intuição, principalmente no uso das cores. Com a tela branca no chão e usando tinta acrílica, as formas vão surgindo, dando a organização quase lúdica dos planos, ativando jogos, que fazem a composição vibrar, movimentando o olhar. A cor dita o ritmo, faz acontecer, muito mais que a composição ou o tema”, explica Couto.

As paisagens imaginadas são, normalmente, habitadas por uma criança inspirada nos retratos de sua filha. O símbolo personifica sua própria imagem infantil em espaços indefinidos, em situações e ações que revelam resquícios mesclados de lembranças e de imaginação absolutamente inconscientes, refazendo no plano suas “lembranças indiretas”. Segundo a artista, a motivação para a escolha da cena está diretamente relacionada ao sentimento, pensamento ou acontecimento que a movem naquela ocasião, sem julgamentos ou censuras. “Fragmentos intuitivos que na fatura da pintura se mesclam aleatoriamente com impulsos gestuais plasmados em cores e formas irreconhecíveis criando prováveis metáforas e permitindo uma leitura aberta ao espectador. O resultado é a submersão de camadas físicas e metafísicas, organizadas, ajustadas no plano pictórico”, completa.

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