Maíra Senise | Zip’Up | Zipper Galeria

“Gárgulas ao sol do meio-dia”, exposição individual de Maíra Senise na Zipper, caminha do limite entre o que é inofensivo e o que é hostil. O conjunto de pinturas e pequenas esculturas surgem a partir de um imaginário que mistura fábulas desconcertantes ao cotidiano de ornamentos femininos dos esmaltes de unhas a purpurina. Organizada pelo projeto Zip’Up, a mostra inaugura no dia 1º de março.

As telas de Maira partem muitas vezes de símbolos de um universo infantil, ao mesmo tempo em que se aproximam de uma representação primitiva, em um limiar entre a figuração e a abstração. A tentativa de transformar a pintura em desenho confere mais liberdade nas escolhas e nas técnicas; muitas vezes, a artista opta por deixar a tela crua, se apropriando desta informação como elemento essencial do trabalho. Figuras desenhadas apenas pelo contorno, que surgem a partir de formas anamórficas, como animais em silhueta e seres híbridos, aparecem com frequência nas pinturas a óleo de camadas densas e esmalte.

Já na série “Esculturas de Mão Dobrada”, objetos disformes feitos em argila pintada com tinta acrílica e preenchidos com óleos produzidos pela artista reforçam um processo orgânico que não visa, aparentemente, criar um trabalho escultórico, mas refletir sobre esta ação de algo que se molda no contato com as mãos.

“Picasso dizia que levou a vida inteira para pintar como uma criança porque o que parece destituído de sentido no rabisco da infância é o início da forma, como a geometria na maça de Cézanne. Animais desorientados por raios nos assistem do outro lado perturbador da tela de Maíra a nos acolher na alegria de cores iluminadas e, ao mesmo tempo, nos assustar como as Gárgulas suspensas em castelos ou igrejas a cuspirem as águas das chuvas no arco íris ou no sol do meio-dia”, escreve Katia Maciel, curadora da exposição.

Idealizado em 2011, um ano após a criação da Zipper Galeria, o programa Zip’Up é um projeto experimental voltado para receber novos artistas, nomes emergentes ainda não representados por galerias paulistanas. O objetivo é manter a abertura a variadas investigações e abordagens, além de possibilitar a troca de experiência entre artistas, curadores independentes e o público, dando visibilidade a talentos em iminência ou amadurecimento. Em um processo permanente, a Zipper recebe, seleciona, orienta e sedia projetos expositivos, que, ao longo dos últimos seis anos, somam mais de quarenta exposições e cerca de 60 artistas e 20 curadores que ocuparam a sala superior da galeria.

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