Luzes indiscretas entre colinas cônicas | Simone Cadinelli Arte Contemporânea

Claudio Tobinaga, Copinho vermelho

O casarão amarelo da Aníbal de Mendonça, no conhecido “quadrilátero dourado” de Ipanema, abriga a partir de junho a galeria Simone Cadinelli Arte Contemporânea. A proposta do espaço é ser um centro propulsor da arte, com exposições, mas também performances, workshops, visitas guiadas, numa programação diversificada.

A exposição de inauguração “Luzes indiscretas entre colinas cônicas” tem curadoria de Marcelo Campos e reúne obras de 13 artistas que têm em comum temas relacionados a luz, corpo e paisagem. Estarão reunidos Anna Kahn, Brígida Baltar, Claudio Tobinaga, Hugo Houayek, Jimson Vilela, Leo Ayres, Lívia Flores,Osvaldo Gaia, Roberta Carvalho, Robnei Bonifácio, Thiago Ortiz, Tiago Sant’Ana e Yoko Nishio.

A estreia com Marcelo Campos

Simone diz que trazer Marcelo Campos para a primeira exposição: “se conectava com nossa proposta. Sua atuação institucional e acadêmica congrega com nosso projeto de associar artistas de renome com novos nomes. Estamos muito felizes”.

Marcelo também está bastante animado com o desafio. “Recebi o convite e todo o material dos artistas e logo percebi o interesse da galeria sobre discussões atuais e sociais. A exposição inaugural vai trazer um pouco da consciência de assuntos do presente, cedendo espaço para artistas atuais.”

A exposição

A proposta de Marcelo Campos com esta exposição é unir trabalhos que tratem de ideias relacionadas à luz, ao corpo e a paisagem. Ele se baseou no relato de viajantes que se deparavam com as cidades brasileiras e em três conceitos que se tornaram evidentes: a luz, a transbordante paisagem e o gentio.

“Mário de Andrade, em O turista aprendiz, destaca a luz das manhãs no subúrbio do Rio de Janeiro e uma ‘certa’ característica ‘indiscreta’ nas pessoas, nas ruas. George Gardner, em Viagem ao interior do Brasil, inicia seu trabalho de campo no litoral e não se furta em valorizar a transbordante beleza da natureza, a cidade por entre ‘colinas cônicas’,” conta Marcelo deixando escapar o jeito didático do professor de história da arte.

Partindo dessas constatações o curador pensa na paisagem como uma clareira de luz na mata. “Os artistas desta exposição olham a cidade como se fôssemos mergulhar de trampolim em direção ao pleno viver. Porém, há outras luzes que transcendem e atravessam esta observação, a luz da noite, das encruzilhadas, dos paraísos artificiais, dos néons, dos espelhos”, acrescenta.

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