Lourival Cuquinha | Galeria Baró

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A exposição “OrdeMha”, individual do artista Lourival Cuquinha é composta por trabalhos inéditos em diversos formatos e dimensões, desde ocupações no espaço expositivo da galeria até vídeos, projeções e instalações.

O artista expõe obras que discutem o atual momento político do Brasil, além de fatos recentes da história nacional, como o ocorrido em Mariana, Minas Gerais, e a vida dos povos que habitam regiões como do Xingu afetados pela construção da usina de Belo Monte.

Em uma das peças, a lama de Mariana se movimenta em um recipiente envidraçado, como em uma ampulheta. Para o artista, “esta obra simboliza como com a gente ordenha o mundo, usa seus recursos de uma forma que acaba destruindo-o”. Vem desta inquietação o nome da exposição, “OrdeMha”. Em outra obra, o artista usa tonalidades de cores em sequência que começa no verde-bandeira e termina no azul-petróleo, para denunciar a exploração dos recursos naturais, como os do pré-sal. Faz parte ainda na mostra uma obra que usa um pedaço de chão da própria galeria para discutir o valor do metro quadrado da região em que o espaço se localiza. A exposição ficará em cartaz até dia 22 de outubro e tem entrada livre e gratuita.

A abertura da exposição também marca o soft oppening da Galer[it], espaço anexo à galeria, montado em um container, que contará com performances e exposições temporárias. A Galer[it] nasceu em parceria entre a Contain[it] e a Baró Galeria é uma estrutura que flerta com o conceito do nomadismo, uma interpretação do fluxo incessante de pessoas nas grandes cidades, e poderá ser levado como espaço de arte para feiras e outras cidades.

Sobre Lourival Cuquinha
Nasceu no Recife, Brasil, 1975. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.
Lourival Cuquinha é artista visual e trabalha com várias mídias. Seu trabalho atinge o campo político geralmente partindo de impressões estritas e pessoais. Não chegou a concluir nenhum curso acadêmico, mas cursou engenharia química, filosofia, direito e historia, passou dez anos na Universidade Federal de Pernambuco (1993 – 2002). Atua em artes visuais, nas áreas de artes plásticas, audiovisual (fotografia, cinema e vídeo) e intervenção urbana. Participou de exposições nacionais e internacionais, com trabalhos caracterizados pela interatividade e pelo diálogo com o público e com o meio urbano. Em sua obra estão constantemente refletidos pensamentos sobre a liberdade do indivíduo e o controle que a sociedade e a cultura exercem sobre este; assim como sobre a liberdade da arte, e o controle exercido sobre ela pelas instituições. Ao atuar tanto na cidade quanto na instituição, questionando o estatuto sobre o que é “obra de arte” e verificando os limites das instituições na hora de absorverem investidas artísticas transgressoras, sua obra nos leva a pensar nas formas pelas quais os artistas de hoje vêm se posicionando frente ao sistema da arte, além de criticar tais instituições, fazer uso delas, negociar permanentemente seu lugar, numa deriva contínua entre a crítica e a adesão. Percorrendo um arco que possui inflexões políticas e força poética, a obra de Lourival surge como local de provocação e nos leva a pensar sobre o lugar que a arte pode ocupar nessas negociações pelo exercício da liberdade, experimentando, assim, o seu alcance de intervenção no próprio sistema da arte e na realidade que o circunda.

 

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