Lotus Lobo | Caixa Cultural Brasília

Em anos de pesquisa sobre a linguagem litográfica, Lotus Lobo constituiu importante acervo de pedras matrizes, embalagens em folha de flandres e matrizes em zinco. A presente mostra destaca inicialmente a importância deste acervo, pois é um dos únicos do Brasil. A exposição “da Estamparia Litográfica – Lotus Lobo” será inaugurada na Galeria Vitrine da CAIXA Cultural Brasília.

Litografia é um processo de impressão de imagensa partir de uma matriz, executada em um tipo de pedra calcária, chamada pedra litográfica. Desenvolvida na Alemanha, no final do século XVIII, essa técnica chegou a Minas Gerais no final do século XIX, e Juiz de Fora se torna o maior parque industrial, onde, em 1888, instala-se a primeira gráfica de litografia. As gráficas produziam impressões sobre papel que serviriam como rótulos de bebidas, etiquetas, diplomas, cartazes, mapas e postais, e sobre folhas-de-flandres, para produtos enlatados como manteiga, queijo, doces, fumo-de-corda e biscoito.

Na exposição, temas poderão ser observadosnão só nos aspectos do design como tipologia, uso das cores, influências, ecletismo de estilos e criação de uma linguagem gráfica brasileira, mas também a qualidade artística dos desenhos. Ressalta-se que este universo iconográfico foi amplamente utilizado na produção artística de Lotus entre as décadas de 60 e 70, cujas obras deste período proporcionaram a projeção de sua carreira num contexto internacional.

A pesquisa de Lotus Lobo se constrói não só pela experimentação de técnicas e suportes para o processo litográfico, mas principalmente pela reflexão conceitual da litografia como linguagem. O visitante poderá verificar peças que comprovam a ampla pesquisa através do seguinte percurso: Resgata as marcas litográficas industriais e passa a imprimi-las em diferentes suportes. O crítico Márcio Sampaio, em texto de 1981, comenta: “… remontando as informações signográficas retiradas daqueles rótulos, Lotus Lobo cria um novo discurso poético-visual que recupera e discute imagens praticamente desconhecidas e que representam uma quase perdida realidade”.

Na mostra, estarão expostos exemplares de Maculaturas, da década de 70, o fac-simile (versão impressa em fine art) da obra Transformação / Mutação / Transformação–Mutação, de 1968, e Série Anotações, de 1968, bem como, obras da série recente de litografias da Estamparia Litográfica, de 2016, que são impressões em papel cartão, papéis de embrulho. Nesta série, as impressões foram orientadas pelo processo das Maculaturas, dos anos 70, porém, em sobreposições de formas/imagens de embalagens e rótulos da litografia industrial sob direcionamentoda artista. Junto às obras, serão exibidos fragmentos de sua vasta coleção da litografia industrial, entre eles pedras litográficas, matrizes de zinco e embalagens originais em folhas de flanders.

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